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Energia

Ataques russos deixam mais de 500 mil sem eletricidade na Ucrânia

Os novos ataques atingiram infraestruturas energéticas apesar da abertura de Moscovo e Kyiv a negociações mediadas pelos EUA. Uma central térmica da DTEK deixou de produzir eletricidade.

Redação Clareza
23 de outubro de 2026, 13:023 min de leitura
Ataques russos deixam mais de 500 mil sem eletricidade na Ucrânia

O que se passou

A Rússia e a Ucrânia voltaram a trocar ataques durante a noite, menos de um dia depois de sinalizarem abertura a negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos. Na sexta-feira, 23 de outubro, o Ministério da Energia ucraniano anunciou que ataques russos tinham deixado mais de 500 mil pessoas sem eletricidade.

Segundo o ministério, foram atingidas instalações energéticas em seis regiões ucranianas. Os trabalhos de reposição de emergência do fornecimento começaram nos locais onde as condições de segurança o permitem.

A DTEK, uma das maiores empresas privadas de energia da Ucrânia, informou que uma das suas centrais térmicas deixou de gerar eletricidade após um ataque russo. A empresa afirmou que as suas centrais térmicas foram atacadas mais de 230 vezes desde o início da invasão em larga escala, em 2022. O Ministério da Defesa russo declarou, por sua vez, ter intercetado e destruído 443 drones ucranianos durante a noite.

Na quarta-feira, o enviado especial norte-americano Steve Witkoff reuniu-se com Vladimir Putin em São Petersburgo. Depois do encontro, Putin disse estar disponível para retomar em novembro as conversações com Kyiv, com mediação dos EUA. Na quinta-feira, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, afirmou à CNN que estava pronto para um cessar-fogo, mas exigiu garantias de segurança fortes.

O que isto significa

A disponibilidade para negociar ainda não se traduziu numa redução dos ataques às infraestruturas energéticas. Para avaliares o risco ligado ao conflito, a distinção está entre os sinais diplomáticos e a continuidade efetiva da produção e do fornecimento de eletricidade.

A paragem da central da DTEK mostra uma consequência operacional concreta. Uma instalação que deixa de gerar eletricidade reduz a capacidade disponível, enquanto a reposição do serviço depende também das condições de segurança no terreno.

O chamado cessar-fogo energético anunciado por Donald Trump em 11 de outubro não travou os ataques. Zelenskyy afirmou que a Ucrânia suspendeu os ataques a alvos energéticos russos durante três dias, mas os retomou devido à continuação dos ataques russos às suas infraestruturas.

As condições apresentadas para as negociações também continuam a ser relevantes. Putin defendeu acordos finais que garantam a segurança dos dois países, em vez de uma trégua temporária. Zelenskyy exigiu garantias de segurança fortes. A abertura ao diálogo não equivale, por isso, a um compromisso já alcançado sobre a suspensão das hostilidades.

Porque deves querer saber

A DTEK perde produção numa central térmica

A interrupção da produção numa central da DTEK dá uma medida concreta do impacto dos ataques na atividade empresarial. Não está apenas em causa a rede de distribuição. A própria capacidade de produzir eletricidade foi atingida.

A empresa não identificou a central nem quantificou a capacidade afetada. Sem esses dados, não é possível medir a dimensão da perda de produção ou o seu impacto financeiro, mas a paragem confirma a continuidade do risco operacional.

As conversações ainda não protegem a energia

Os ataques prosseguiram apesar dos contactos diplomáticos e do anúncio anterior de um cessar-fogo energético. A proteção das infraestruturas continua, assim, por concretizar no terreno.

Se acompanhas investimentos expostos ao conflito, os anúncios de novas conversações não devem ser confundidos com uma normalização do abastecimento. A redução desse risco depende de uma interrupção efetiva dos ataques, não apenas da disponibilidade para negociar.

Fontes

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