Rheinmetall cai 16% após novo corte nas previsões para 2026
A fabricante alemã de armamento reviu as metas anuais pela segunda vez em três meses. Os atrasos em projetos militares e nas entregas de munições pesam nas vendas e na margem esperadas.
O que se passou
As ações da Rheinmetall caíram 16% depois de a empresa ter reduzido as previsões para 2026. A revisão foi anunciada na quarta-feira, 4 de novembro, e é a segunda desde agosto.
A empresa espera agora vendas de cerca de 13,2 mil milhões de euros, abaixo do intervalo anterior de 13,7 a 14,2 mil milhões. A margem operacional prevista passou de 19% para cerca de 18,5%.
A Rheinmetall atribuiu o corte a atrasos no projeto Arminius Boxer das forças armadas alemãs, cuja encomenda passou a ser esperada no próximo ano, e a dificuldades nos testes de aceitação de munições de artilharia. Em agosto, já tinha revisto as metas depois de a Alemanha abandonar planos de construção de navios de guerra.
A revisão surge apesar do crescimento dos resultados do terceiro trimestre. As vendas aumentaram 32%, para 3,15 mil milhões de euros, e o resultado operacional subiu 62%, para 553 milhões. As novas encomendas totalizaram 2,89 mil milhões de euros, elevando a carteira de encomendas para 78 mil milhões no final do trimestre.
O que isto significa
O crescimento dos resultados trimestrais não impediu a redução das metas anuais. A Rheinmetall está a vender mais, mas os atrasos nos projetos e na aceitação das munições adiam a concretização de parte do negócio esperado para 2026.
A carteira de encomendas de 78 mil milhões de euros dá dimensão ao trabalho contratado. Não garante, porém, que esse volume se transforme em vendas no calendário inicialmente previsto. A revisão da margem mostra também que o impacto esperado não se limita à faturação.
Antes da sessão de quinta-feira, as ações já acumulavam uma queda de cerca de 35% no ano. Esse desempenho contrasta com uma valorização média anual de 114% nos quatro anos anteriores, período em que a empresa beneficiou do aumento da despesa militar europeia após a invasão russa da Ucrânia em 2022.
Os analistas do RBC classificaram o anúncio como claramente negativo e apontaram dúvidas sobre o calendário e a dimensão do programa Boxer, bem como sobre o efeito nas previsões de médio prazo. Para acompanhares a evolução da empresa, a concretização destas encomendas passa a ser tão relevante como o crescimento da carteira.
Porque deves querer saber
Os atrasos pesam nas vendas e na margem
A Rheinmetall reduziu tanto a previsão de vendas como a margem operacional esperada. O resultado operacional do terceiro trimestre cresceu mais depressa do que as receitas, mas essa melhoria não foi suficiente para manter os objetivos anuais.
Se acompanhas a ação, os próximos desenvolvimentos no projeto Boxer e nos testes de aceitação das munições ajudam a avaliar quando o negócio adiado poderá chegar aos resultados. O novo calendário do Boxer aponta para o próximo ano.
Mais despesa militar não elimina os atrasos
A Rheinmetall foi uma das principais beneficiárias do reforço dos orçamentos militares europeus. Este corte nas previsões mostra que a procura de armamento e o reconhecimento das vendas podem avançar a ritmos diferentes, dependendo da contratação e da aceitação das entregas.
O RBC considera que o anúncio pode alimentar as dúvidas dos investidores sobre as tecnologias tradicionais de defesa face às novas tecnologias. Trata-se de uma avaliação dos analistas, não de uma quebra confirmada da procura no conjunto do setor.


