Anduril e Qualcomm anunciam portátil BlueChip com produção nos EUA
O primeiro modelo destina-se a militares e organismos públicos, com uma cadeia de fornecimento auditável. A Anduril quer chegar a uma versão inteiramente fabricada nos Estados Unidos.
O que se passou
A Anduril e a Qualcomm anunciaram, a 27 de outubro, o BlueChip, um portátil resistente a condições físicas exigentes, com pré-encomendas previstas para 2027. O equipamento será dirigido sobretudo a militares, organismos públicos, serviços de emergência e forças policiais.
Segundo a Anduril, cerca de 90% dos componentes da primeira geração serão produzidos nos Estados Unidos ou em países aliados. O processador será um Snapdragon X Series fabricado na unidade da TSMC no Arizona.
O fundador da Anduril, Palmer Luckey, afirmou que o objetivo é fabricar todos os componentes nos EUA, incluindo ecrãs e peças metálicas. A empresa ainda não concluiu os contratos com todos os fornecedores. Luckey diz já ter encontrado um fornecedor americano para o vidro do ecrã, mas não para o próprio ecrã.
O preço ainda não foi anunciado. Luckey estima que o BlueChip custe cerca de 20% mais do que os computadores habituais de gama alta. A construção reforçada implicará maior peso e limitações de autonomia, pelo que o primeiro modelo não foi concebido para o consumidor comum.
O que isto significa
Para a Qualcomm, o acordo leva os processadores Snapdragon X a um equipamento concebido para clientes com exigências específicas de segurança e de origem dos componentes. O presidente executivo da Qualcomm, Cristiano Amon, explicou que o processador usa a mesma arquitetura presente noutros portáteis, incluindo o Microsoft Surface.
A proposta comercial do BlueChip assenta na possibilidade de os clientes identificarem e auditarem a cadeia de fornecimento. A Anduril pretende responder a regras que exigem a organismos públicos americanos a compra de computadores fabricados nos EUA, em vez de competir sobretudo pelo preço no mercado de consumo.
A compatibilidade com software será outro requisito relevante. A Anduril está a trabalhar para que o computador, baseado na arquitetura Arm, execute aplicações Windows, programas de certas distribuições Linux usadas pelo Governo e software antigo ainda utilizado por várias agências.
Se acompanhas a Qualcomm, o anúncio permite observar uma nova utilização dos seus processadores para computadores. Ainda assim, os dados divulgados não permitem quantificar o impacto financeiro da parceria. O calendário de pré-encomendas está definido, mas o preço final e parte dos fornecedores continuam por fechar.
Porque deves querer saber
Snapdragon chega a um portátil para clientes públicos
O BlueChip coloca os processadores da Qualcomm num produto em que a resistência física e a origem das peças fazem parte dos critérios de compra. A Anduril procura clientes que precisam destas características e que podem aceitar um custo superior ao de um portátil convencional.
O prémio de cerca de 20% estimado por Luckey ainda não é um preço confirmado. Para avaliares a oportunidade comercial, será relevante acompanhar as condições finais de venda e a capacidade de executar o software de que estas entidades dependem.
Produzir nos EUA exige mais do que montar computadores
A meta da Anduril vai além da montagem final em território americano. Luckey quer localizar também a produção de cada componente, mas reconhece que algumas peças, como o ecrã pretendido, só são atualmente fabricadas na China.
Os cerca de 90% anunciados incluem componentes de países aliados, não apenas dos EUA. Essa distinção mostra a distância entre a primeira geração do BlueChip e a ambição de produção totalmente nacional, que dependerá de fornecedores ainda por contratar e de novas alternativas industriais.


