Petróleo sobe com relatos de novos ataques dos EUA ao Irão
O Brent chegou aos 115,07 dólares por barril. Segundo o Wall Street Journal, Washington avisou países do Golfo para se prepararem para uma campanha militar após as eleições intercalares.
O que se passou
Os preços do petróleo subiram na quarta-feira, 28 de outubro, enquanto os investidores avaliavam a possibilidade de um conflito prolongado no Médio Oriente. Os futuros do Brent, referência internacional, avançaram 1% para 115,07 dólares por barril. Os do West Texas Intermediate, referência norte-americana, ganharam 1,8% para 101,72 dólares.
Os Estados Unidos avisaram vários países árabes do Golfo para se prepararem para uma campanha militar curta e intensa contra o Irão após as eleições intercalares. A informação foi avançada pelo Wall Street Journal, que citou pessoas informadas sobre essas conversas.
Num comício no Texas, na terça-feira, Donald Trump afirmou que a guerra terminaria nos seus termos e que qualquer acordo teria de impedir o Irão de obter armas nucleares. O presidente norte-americano tinha indicado anteriormente que ponderava um acordo com Teerão ou novas ações militares.
Também na terça-feira, os militantes houthis, aliados do Irão, afirmaram ter atacado a refinaria saudita de Ras Tanura com um míssil balístico. A alegação aumentou os receios de novas perturbações no abastecimento de petróleo.
O que isto significa
A subida do petróleo reflete a preocupação com a continuidade dos fluxos de abastecimento no Médio Oriente. O mercado já incorporava um prémio de risco geopolítico, ou seja, um preço adicional associado à possibilidade de interrupções da oferta.
Os relatos sobre preparativos para novos ataques dão uma referência temporal a esse risco, ao apontarem para o período após as eleições intercalares nos Estados Unidos. Não constituem, porém, um anúncio oficial de uma operação militar. A distinção importa quando avalias notícias que podem alterar rapidamente as expectativas do mercado.
A alegação dos houthis acrescenta uma ameaça às infraestruturas petrolíferas da região. O anúncio de um ataque não confirma, por si só, danos na refinaria ou uma redução da produção. Para perceberes o impacto na oferta, importa distinguir o risco de interrupção de uma quebra efetiva no abastecimento.
A incerteza estende-se à política israelita. As sondagens à boca das urnas apontavam para um impasse entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o seu principal adversário, Gadi Eisenkot. Negociações prolongadas para formar governo podem tornar menos previsível a abordagem de Israel ao Irão.
Porque deves querer saber
O risco de interrupção já pesa no barril
O Brent e o petróleo norte-americano subiram numa sessão marcada pelos receios de novos ataques. Os dois contratos refletem um mercado atento à possibilidade de o conflito afetar o abastecimento, mesmo sem confirmação de uma nova quebra na oferta.
Se acompanhas o petróleo, a diferença entre uma ameaça e uma interrupção efetiva é essencial. Os relatos de preparativos militares e a alegação de ataque à refinaria aumentam a incerteza, mas não permitem quantificar uma perda de produção.
As decisões políticas prolongam a incerteza
O calendário eleitoral norte-americano passou a fazer parte das expectativas sobre a evolução do conflito. Segundo o Wall Street Journal, os avisos aos países do Golfo situam uma eventual campanha militar depois das eleições intercalares.
Em Israel, a ausência de uma maioria clara nas sondagens à boca das urnas acrescenta outra indefinição. Para o mercado petrolífero, estes desenvolvimentos dificultam a avaliação da duração do conflito e da persistência do risco sobre o abastecimento.

