Petróleo recua com visita do ministro saudita da Defesa ao Irão
O Brent caiu 0,7% para 115,86 dólares por barril. As conversações para reduzir a tensão decorrem após novos ataques contra infraestruturas sauditas.
O que se passou
Os preços do petróleo desceram na segunda-feira, 26 de outubro, enquanto o ministro saudita da Defesa, o príncipe Khalid bin Salman, se deslocava a Teerão para conversações. Às 9h19 da costa leste dos Estados Unidos, os futuros do West Texas Intermediate caíam 1,2%, para 102,05 dólares por barril, e os do Brent recuavam 0,7%, para 115,86 dólares.
A descida seguiu-se à forte subida de sexta-feira, alimentada pelos ataques dos rebeldes houthis, aliados do Irão, contra a Arábia Saudita. Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros saudita, Khalid bin Salman reúne-se com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o chefe do Conselho de Segurança Nacional, Mohsen Rezaei, para tentar reduzir a tensão. Representantes do Paquistão e da Turquia também participam.
No sábado, os houthis afirmaram ter atacado o principal aeroporto de Riade e instalações petrolíferas. As autoridades sauditas disseram no domingo que tinham intercetado mais mísseis e drones. O aeroporto retomou parcialmente as operações nesse dia, apesar dos danos de ataques anteriores.
Nos Estados Unidos, o Departamento da Energia autorizou na sexta-feira a libertação de até 400 mil barris da reserva estratégica para responder a uma interrupção de abastecimento numa refinaria do Louisiana. A Arábia Saudita anunciou também planos para começar a armazenar petróleo em Singapura na segunda metade de 2027, para tornar mais resistente a sua cadeia de abastecimento asiática.
O que isto significa
A queda do petróleo não elimina o risco de interrupções na oferta. As conversações abrem uma via diplomática, mas decorrem enquanto os houthis ameaçam novos ataques e as autoridades sauditas continuam a intercetar mísseis e drones.
Michael Alfaro, diretor de investimentos da Gallo Partners, estimou à CNBC que a incerteza geopolítica já acrescentou cerca de 20 dólares ao preço de cada barril. Trata-se de uma estimativa do prémio de risco incorporado nas cotações, não de um custo diretamente observado.
Os preços elevados também podem limitar o consumo. Alfaro considera que uma subida do Brent acima de 120 dólares por barril acentuaria esse efeito. Para avaliares a evolução do mercado, importa distinguir o receio de falta de petróleo da possibilidade de os próprios preços reduzirem a procura.
A capacidade de refinação merece atenção separada da produção de crude. Alfaro alertou que danos nas refinarias podem criar dificuldades mais persistentes, prolongando-se por 2027 e além. Acrescentou que os produtores norte-americanos continuam cautelosos no investimento, apesar de estarem a acrescentar algumas plataformas de perfuração.
Porque deves querer saber
A descida não afasta o risco de novos cortes
O recuo das cotações acontece depois de uma forte subida, não depois de uma resolução do conflito. As instalações sauditas de produção, refinação e exportação continuam expostas a novos ataques, pelo que o resultado das conversações é relevante para o risco de abastecimento.
Se acompanhas o petróleo, essa distinção ajuda-te a interpretar a queda. O movimento de segunda-feira, por si só, não confirma uma normalização das operações nem o fim das ameaças às infraestruturas.
As refinarias podem prolongar o choque energético
Disponibilizar mais crude não resolve necessariamente uma interrupção na capacidade de o transformar em combustíveis. Alfaro identifica a refinação como o problema com maior potencial para persistir, caso novos ataques danifiquem essas instalações.
As respostas anunciadas têm objetivos e prazos diferentes. A libertação da reserva norte-americana procura responder a uma interrupção concreta no Louisiana. O armazenamento saudita em Singapura, previsto para a segunda metade de 2027, procura proteger o abastecimento asiático e não constitui uma resposta imediata aos ataques.

