Brent ronda os 100 dólares com tensão no Mar Vermelho
Forças do governo do Iémen dizem ter recuperado Mokha, porto estratégico perto do estreito de Bab el-Mandeb. A CNBC não conseguiu verificar a reivindicação e os Houthis terão negado a perda da cidade.
O que se passou
As forças do governo do Iémen disseram na segunda-feira que retomaram Mokha, cidade portuária no Mar Vermelho, depois de combates contra os Houthis apoiados pelo Irão. O avanço incluiu zonas costeiras perto do estreito de Bab el-Mandeb, uma rota importante para o transporte de petróleo.
O governo iemenita afirmou também ter lançado uma ofensiva sobre Sanaa, capital controlada pelos Houthis desde 2014. A CNBC não conseguiu verificar de forma independente estas afirmações. Os Houthis terão negado que Mokha tenha caído.
Mokha fica a cerca de 75 quilómetros a norte do estreito de Bab el-Mandeb. A cidade tinha sido tomada pelos Houthis no início de setembro, aumentando a preocupação com a influência do grupo sobre uma passagem relevante para o comércio energético.
A tensão regional aumentou ainda com ataques a dois aeroportos na Arábia Saudita na segunda-feira à noite. A autoridade saudita de aviação civil disse que os aeroportos de Jazan e Najran foram atingidos, com três feridos e danos limitados.
Na terça-feira de manhã, os futuros do Brent com entrega em dezembro negociavam 0,3% abaixo, a 100,12 dólares por barril, depois de terem estado brevemente abaixo dos 100 dólares. O West Texas Intermediate com entrega em novembro caía quase 0,9%, para 88,63 dólares.
O que isto significa
O petróleo continua a refletir um prémio de risco geopolítico. Mesmo com os preços ligeiramente mais baixos na sessão, o Brent perto dos 100 dólares mostra que o mercado ainda atribui valor ao risco de interrupções nas rotas energéticas do Médio Oriente.
Bab el-Mandeb é relevante porque liga o Mar Vermelho ao Golfo de Aden. A possibilidade de instabilidade junto a esta passagem preocupa quem investe em energia, transporte marítimo e empresas com custos sensíveis ao petróleo.
A notícia não confirma uma alteração efetiva nos fluxos de petróleo. Confirma antes que o mercado está a negociar num ambiente em que as alegações militares, os ataques a infraestruturas e as respostas de países da região podem mudar rapidamente a perceção de risco.
Estrategas de energia do ING disseram que há sinais crescentes de recuperação nos fluxos de petróleo do Golfo Pérsico, mas que o mercado continua nervoso com potenciais perturbações de oferta. Também associaram a persistência dessa tensão à falta de sinais de progresso num acordo entre os Estados Unidos e o Irão.
Para quem investe, a variável central passa a ser a continuidade do abastecimento. Se o risco de escalada se mantiver, o preço do petróleo pode continuar a pesar nas expectativas de inflação, margens empresariais e decisões dos bancos centrais.
Porque deves querer saber
O petróleo mantém um prémio de risco
O Brent perto dos 100 dólares indica que o mercado ainda não trata a tensão no Iémen como um episódio isolado. A recuperação reivindicada de Mokha pode reduzir a pressão sobre uma rota do Mar Vermelho, mas a informação continua disputada e não foi verificada de forma independente.
As quedas ligeiras de terça-feira não eliminam esse risco. O preço continua elevado o suficiente para afetar setores dependentes de combustível, desde companhias aéreas a transporte marítimo, e para manter a energia no centro das carteiras globais.
As rotas marítimas voltam a comandar a energia
A disputa por Mokha mostra como portos e estreitos podem ter impacto financeiro global. Bab el-Mandeb não é apenas uma referência militar. É uma passagem que condiciona a perceção de segurança no transporte de petróleo.
A tensão junta-se à instabilidade no estreito de Hormuz, cuja importância para o mercado energético já pressionou preços e a economia mundial. Para os investidores, o risco não está apenas na produção de petróleo, mas também na capacidade de o fazer circular sem interrupções.

