Pentágono prepara espionagem económica contra a China, avança Washington Post
O programa estará ainda em planeamento e prevê agentes com identidades de empresários, sem ligação visível ao Governo dos EUA. A informação foi avançada pelo The Washington Post, que cita fontes anónimas.
O que se passou
O Pentágono estará a preparar um programa de espionagem clandestina dirigido à China e a outros concorrentes dos Estados Unidos. A informação foi noticiada pelo The Washington Post esta quinta-feira, 22 de outubro, com base em fontes familiarizadas com a iniciativa.
Os agentes deverão usar identidades falsas e apresentar-se como empresários ou profissionais do setor privado. Operariam sem cobertura oficial, ou seja, sem uma ligação aparente ao Governo norte-americano.
Segundo as fontes citadas pelo jornal, a supervisão caberá a Tom Rakusan, atual conselheiro principal do subsecretário da Defesa norte-americano, Steve Feinberg. Rakusan fez uma carreira de 39 anos na Agência Central de Informações, a CIA, de onde se reformou em 2021.
O plano envolve profissionais de diferentes ramos das Forças Armadas, do gabinete do subsecretário da Defesa para os Serviços de Informações e Segurança e antigos funcionários da CIA. As mesmas fontes afirmam que a iniciativa ainda não está operacional.
O que isto significa
A notícia aponta para um alargamento dos instrumentos usados pelos Estados Unidos na disputa económica com a China. Além das medidas comerciais e industriais já adotadas, o Pentágono estará a preparar uma capacidade clandestina de recolha de informações económicas.
A administração de Donald Trump já impôs tarifas e controlos às exportações, investiu em recursos e tecnologias considerados críticos e estabeleceu parcerias com investidores privados para apoiar a indústria de defesa. O programa descrito pelo Washington Post acrescentaria uma componente secreta a essa estratégia.
Se investes em empresas expostas ao comércio entre os Estados Unidos e a China, o desenvolvimento merece atenção pela ligação cada vez mais direta entre atividade económica e segurança nacional. Tecnologias e recursos críticos são áreas em que Washington já está a intervir.
O alcance concreto da iniciativa continua por esclarecer. A informação assenta em fontes anónimas e descreve um plano ainda em preparação, não uma operação em curso. Por isso, não permite concluir que existam já novas restrições ou efeitos nos resultados das empresas.
Porque deves querer saber
O setor privado serviria de cobertura aos agentes
O programa prevê que agentes se apresentem como empresários ou profissionais do setor privado. A novidade descrita pelo Washington Post não é uma medida comercial pública, mas o uso de identidades profissionais para recolher informações sem ligação visível ao Governo dos EUA.
Não são identificadas empresas envolvidas nem operações já realizadas. Para avaliares eventuais consequências empresariais, essa distinção conta. O plano ainda não está operacional e não há efeitos concretos sobre negócios identificados na notícia.
A disputa económica entra na estratégia de defesa
A administração Trump trata a guerra económica como um instrumento central de segurança nacional. As tarifas, os controlos às exportações e o investimento em recursos críticos já mostram como as decisões políticas podem condicionar a atividade das empresas.
O alegado programa de espionagem prolongaria essa orientação dentro do Pentágono. A rivalidade com a China não se limita, assim, às condições de acesso aos mercados. Também abrange a informação económica que Washington procura obter para sustentar a sua estratégia.

