OpenAI baixa avaliação pretendida para 1,25 biliões de dólares
A empresa procura captar 30 mil milhões de dólares, mas encontrou resistência dos investidores. Os termos ainda podem mudar antes de serem fechados os compromissos de financiamento.
O que se passou
A OpenAI reduziu de 1,4 biliões para 1,25 biliões de dólares a avaliação pretendida numa ronda de financiamento de 30 mil milhões de dólares. A revisão surge após resistência de potenciais investidores, que questionam os gastos necessários para desenvolver modelos de inteligência artificial e construir a infraestrutura que os suporta.
Segundo a Bloomberg, as negociações entraram na fase final, embora os termos continuem sujeitos a alterações. A empresa espera fechar os compromissos dos investidores até ao fim de outubro, mas poderá captar menos do que pretende se a procura ficar abaixo do esperado.
A Coatue Management, uma sociedade de investimento norte-americana, está em conversações para coliderar a ronda com fundos dos Emirados Árabes Unidos. A OpenAI também discutiu financiamento com a BlackRock.
Segundo o Financial Times, a criadora do ChatGPT captou 122 mil milhões de dólares em março, numa operação que a avaliou em 852 mil milhões. A empresa adiou a sua esperada estreia em bolsa para 2027 e procura agora novo capital para sustentar as operações até uma eventual entrada no mercado.
O que isto significa
A avaliação pretendida é um ponto de negociação, não o preço de uma operação já concluída. A redução mostra que a OpenAI teve de ajustar as suas expectativas para tentar obter compromissos de financiamento.
Mesmo depois do corte, o objetivo de 1,25 biliões de dólares continua acima da avaliação de 852 mil milhões atribuída na ronda de março. A resistência dos investidores não elimina essa diferença, mas coloca em discussão quanto estão dispostos a pagar pela expansão da empresa.
O montante efetivamente captado será tão relevante como a avaliação final. Com a estreia em bolsa esperada apenas em 2027, esta ronda poderá fornecer capital para as operações antes de a empresa ter acesso ao mercado acionista.
A esperada entrada em bolsa da rival Anthropic poderá dar outra indicação sobre o apetite dos investidores por empresas de IA com elevados compromissos de despesa. Essa operação será um teste no mercado público, enquanto a OpenAI continua a negociar financiamento privado.
Porque deves querer saber
Uma avaliação menor para tentar fechar a ronda
A OpenAI procura aproximar as condições de financiamento daquilo que os investidores aceitam pagar. O corte na avaliação pretendida responde à resistência encontrada, mas ainda não garante a captação dos 30 mil milhões de dólares.
Se acompanhas o financiamento da empresa, distingue o objetivo anunciado dos compromissos efetivamente fechados. Tanto a avaliação como o montante da ronda continuam por confirmar, e ambos ajudam a perceber em que condições a OpenAI consegue financiar as operações.
Os custos da IA pesam nas negociações
As dúvidas dos investidores incidem sobre o dinheiro necessário para desenvolver modelos e construir a capacidade informática que os sustenta. A negociação da OpenAI mostra como essas necessidades de capital podem limitar as avaliações que as empresas de IA procuram obter.
A revisão coincide com nova pressão sobre ações tecnológicas, após resultados mistos da Meta e da Tesla terem intensificado as preocupações com a despesa em infraestrutura de IA. Isso não transforma a ronda privada da OpenAI numa cotação de bolsa, mas torna-a relevante para perceber a disponibilidade dos investidores para financiar essa expansão.


