Netflix corta cerca de mil empregos e muda a liderança dos conteúdos
Peter Rice vai substituir Bela Bajaria na direção de conteúdos. A mudança surge dias antes dos resultados, com as despesas de programação a crescerem mais depressa do que as horas de visualização.
O que se passou
A Netflix cortou cerca de mil postos de trabalho em 14 de outubro, o equivalente a aproximadamente 6% dos trabalhadores, de acordo com o 24/7 Wall St. A empresa não divulgou uma estimativa das poupanças nem dos encargos com indemnizações.
No dia seguinte, a Netflix anunciou a saída da responsável pelos conteúdos, Bela Bajaria, e a sua substituição por Peter Rice. O novo responsável passou pela Fox Searchlight, dirigiu a Fox Networks Group e liderou a Walt Disney Television até à sua saída em 2022.
O co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, destacou a experiência de Rice na gestão de operações de grande dimensão no entretenimento. Bajaria estava na empresa desde 2016 e supervisionou séries como Bridgerton e Squid Game, além da expansão para eventos em direto.
As mudanças antecedem a apresentação dos resultados do terceiro trimestre, marcada para 20 de outubro de 2026, após o fecho do mercado. A Netflix tinha apontado para uma margem operacional de 33,2% e um resultado diluído por ação de 0,82 dólares nesse período.
O que isto significa
Os cortes colocam o controlo dos custos no centro das próximas contas. Podem reduzir despesas com pessoal, mas ainda não há números que permitam medir essa poupança ou o efeito das indemnizações nos resultados.
A pressão não vem de uma quebra das receitas. No segundo trimestre, estas cresceram 13,4%. Ainda assim, a Netflix prevê que a despesa com conteúdos aumente cerca de 10% este ano, acima da média de 8% dos últimos cinco anos.
O tempo de visualização cresceu apenas 2% no primeiro semestre de 2026. Esse ritmo importa porque a atenção dos espectadores sustenta a oferta publicitária e ajuda a justificar aumentos de preços. A empresa espera aproximadamente duplicar as receitas de publicidade para cerca de 3 mil milhões de dólares este ano.
Nos resultados de outubro, poderás avaliar se a reorganização altera as metas financeiras. A referência anual é uma margem operacional de 31,5%. O fluxo de caixa livre também merece atenção, depois de ter caído 32,7% no segundo trimestre, para 1,53 mil milhões de dólares, devido a pagamentos de impostos mais elevados.
Porque deves querer saber
Peter Rice assume os conteúdos sob pressão de custos
A Netflix entrega a programação a um executivo com experiência na gestão de grandes operações de entretenimento. A escolha sugere maior atenção à disciplina de despesas, embora a empresa ainda não tenha anunciado alterações ao orçamento de conteúdos.
Os cortes de pessoal não permitem, por si só, concluir que a rentabilidade vai melhorar já. Sem uma meta de poupança e sem o custo das indemnizações, falta perceber quanto desta reorganização chegará aos resultados e em que momento.
Os diretos valem mais do que as horas vistas
A programação em direto representa 5% do orçamento de conteúdos da Netflix em 2026, mas gera 1% das horas de visualização. Essa diferença torna relevante perceber como a empresa mede o retorno de cada formato.
As horas vistas não contam toda a história. Seis dos dez dias com mais novas adesões nos últimos cinco anos estiveram associados a programação em direto. A gestão terá de pesar essa capacidade de atrair subscritores contra o custo dos eventos, em vez de avaliar apenas a audiência acumulada.


