Porque é que as empresas continuam a escolher a Microsoft
Quando pensamos na Microsoft, é fácil lembrar o Windows, o Word ou o Excel. Mas, dentro de uma empresa, a relação costuma ir muito além destes produtos. O email, os documentos, as ferramentas de segurança e os serviços do Azure podem fazer parte da mesma infraestrutura que as equipas utilizam todos os dias para trabalhar.
Depois de uma empresa montar os seus processos à volta destas ferramentas, trocar de fornecedor pode exigir muito tempo e dinheiro. É preciso transferir dados, adaptar aplicações e preparar as pessoas para trabalhar de outra forma. Por isso, a decisão de mudar depende de quanto a empresa espera ganhar com essa mudança, tendo em conta o trabalho necessário para a fazer. Esta ligação aos clientes ajuda a Microsoft a manter contratos e a vender-lhes outros serviços ao longo do tempo.
O Azure cresce, mas o resto do negócio também conta
É também através dessa relação que a Microsoft pode ganhar dinheiro com a IA. Uma empresa que já utiliza os seus produtos pode contratar mais capacidade no Azure ou acrescentar o Copilot às ferramentas de trabalho. No trimestre terminado em junho de 2026, as receitas do Azure e de outros serviços de cloud cresceram 43%, o que mostra a dimensão da procura por esta parte do negócio.
Ao mesmo tempo, a Microsoft continua a receber receitas de software de produtividade, segurança, Windows e jogos. Estas atividades não crescem todas pelas mesmas razões. Uma empresa pode contratar mais licenças do Microsoft 365 porque aumentou a equipa, por exemplo, enquanto uma venda de uma consola depende da procura dos consumidores. Portanto, para perceber o efeito da IA nos resultados, temos de olhar para os serviços que os clientes estão efetivamente a contratar.
O segmento que inclui o Azure já tem o maior peso nas receitas
Quarto trimestre fiscal de 2026, terminado em 30 de junho
Mil milhões de dólares
Intelligent Cloud
Produtividade e processos empresariais
Computação pessoal
Valores arredondados pela Microsoft. Os três segmentos somam 90,0 mil milhões de dólares. Intelligent Cloud inclui o Azure e outros produtos, pelo que os 39,3 mil milhões não são receitas apenas do Azure.
Fonte · Microsoft, resultados do quarto trimestre fiscal de 2026Quanto dinheiro sobra depois de investir no crescimento
Para responder a esta procura, a Microsoft precisa de construir data centers e comprar os equipamentos que vão prestar esses serviços. Parte do investimento acontece antes de os clientes começarem a utilizar essa capacidade e de a empresa receber as receitas correspondentes. É por isso que o crescimento do Azure tem de ser acompanhado pelo dinheiro que a Microsoft está a gastar para o conseguir.
No trimestre terminado em junho de 2026, a empresa anunciou 41 mil milhões de dólares de investimento. Este valor inclui infraestrutura que a Microsoft passa a utilizar através de contratos com pagamentos ao longo do tempo, sem pagar tudo de imediato. Se olharmos apenas para o dinheiro que saiu naquele trimestre para instalações e equipamentos, o valor foi de 35,8 mil milhões. É este segundo número que usamos na tabela para perceber quanto sobrou depois desses pagamentos.
A tabela mostra que o negócio gerou mais dinheiro do que um ano antes, mas o investimento aumentou ainda mais. Depois de pagar as instalações e os equipamentos, sobraram 19,6 mil milhões de dólares, face a 25,6 mil milhões no mesmo trimestre de 2025. Ou seja, a Microsoft está a crescer, mas uma parte maior do dinheiro que gera está a ser utilizada para preparar os serviços que pretende vender nos próximos anos.
Este investimento pode compensar se os clientes utilizarem a nova capacidade e as receitas crescerem o suficiente para pagar os equipamentos e o seu funcionamento. Mas, se a utilização ficar abaixo do esperado, a Microsoft terá gasto muito dinheiro em infraestrutura que gera menos receita do que previa. Nos próximos resultados, precisamos de perceber se o crescimento dos serviços começa a traduzir-se em mais dinheiro disponível depois destes investimentos.
O investimento cresceu mais depressa do que o caixa operacional
Trimestres terminados em junho de 2025 e junho de 2026
| Indicador | 2025 | 2026 |
|---|---|---|
| Caixa gerada pela operação | 42,647 | 55,441 |
| Pagamentos por instalações e equipamentos | 17,079 | 35,802 |
| Caixa após esses pagamentos | 25,568 | 19,639 |
A última linha é calculada pelo Clareza, retirando os pagamentos por instalações e equipamentos ao dinheiro gerado pela operação. Não inclui outros investimentos nem pagamentos futuros da infraestrutura contratada.
Fonte · Microsoft, resultados do quarto trimestre fiscal de 2026O que os contratos já assinados nos dizem sobre a procura
A Microsoft terminou o período com 678 mil milhões de dólares em contratos e compromissos dos clientes que ainda não foram registados como receita. Isto ajuda a perceber porque está a expandir a infraestrutura. Já existe procura contratada para serviços que serão prestados ao longo dos próximos anos, embora o dinheiro e as receitas não cheguem todos ao mesmo tempo.
Além de prestar esses serviços, a Microsoft pode aumentar aquilo que cada cliente utiliza e paga. O Copilot é um exemplo. Se ajudar as equipas a poupar tempo ou a fazer mais trabalho, os clientes terão razões para continuar a pagar por ele. A Microsoft tem uma base grande de empresas a quem pode vender estas ferramentas, mas o crescimento vai depender dos benefícios que essas empresas encontrarem na sua utilização.
O que acompanhar
- O Azure continua a crescer quando a comparação com o ano anterior se torna mais exigente?
- Os pagamentos por infraestrutura começam a crescer menos do que o caixa operacional?
- A utilização e as renovações do Copilot justificam o custo para os clientes?
Fontes
Texto atualizado em .


