EUA suspendem Microsoft e Adobe de programa de green cards
O Departamento do Trabalho norte-americano deixou de aceitar novos pedidos destas empresas no programa de certificação laboral permanente. Keith Sonderling citou investigações federais ativas ligadas à participação das duas tecnológicas.
O que se passou
O Departamento do Trabalho dos EUA anunciou na quinta-feira a suspensão da Microsoft e da Adobe do programa Permanent Labor Certification, usado por empresas para apoiar pedidos de residência permanente de trabalhadores estrangeiros qualificados.
O secretário do Trabalho, Keith Sonderling, disse que o departamento não vai aceitar nem processar novas candidaturas ao abrigo do programa para várias empresas. A lista inclui Microsoft, Adobe, Cognizant, Infosys, Capgemini, Tata, Wipro e HCL.
Sonderling afirmou que a Microsoft e a Adobe foram suspensas devido a “múltiplas investigações federais ativas” relacionadas com a participação no programa.
O responsável disse ainda que, desde 2009, estas empresas pediram quase 3 milhões de trabalhadores estrangeiros, receberam mais de 230.000 aprovações de vistos H-1B e mais de 100.000 certificações laborais permanentes.
JD Vance criticou em particular a Microsoft e apontou para os 6.000 despedimentos da empresa em 2025. O vice-presidente afirmou que a administração norte-americana vai negar à empresa a capacidade de pedir estas residências permanentes até considerar que a Microsoft está a dar prioridade aos trabalhadores norte-americanos.
O que isto significa
A decisão atinge uma parte sensível da gestão de talento das grandes tecnológicas nos EUA. O programa não é o único canal de contratação internacional, mas é uma via relevante para empresas que precisam de reter trabalhadores qualificados com residência permanente.
Para a Microsoft e a Adobe, o efeito direto está no processamento de novos pedidos. O material disponível não indica impacto financeiro imediato, mas a suspensão pode criar fricção operacional em equipas que dependem de perfis técnicos estrangeiros.
A Microsoft surge numa posição politicamente mais exposta porque JD Vance ligou a decisão aos despedimentos de 2025. Essa associação aumenta o escrutínio sobre como a empresa combina cortes de pessoal com contratação internacional.
O episódio também mostra que a política de imigração voltou a entrar no centro da relação entre Washington e o setor tecnológico. A administração Trump está a apertar programas de contratação estrangeira antes das eleições intercalares de novembro, o que pode tornar a gestão de recursos humanos mais incerta para empresas com operações grandes nos EUA.
Porque deves querer saber
Os novos pedidos ficam bloqueados
A Microsoft e a Adobe deixam de poder avançar com novas candidaturas neste programa enquanto a suspensão estiver em vigor. O Departamento do Trabalho também incluiu grandes empresas de serviços tecnológicos na mesma medida, como Cognizant, Infosys, Capgemini, Tata, Wipro e HCL.
Para quem investe, a questão imediata é operacional. Empresas com equipas técnicas globais dependem de processos previsíveis para contratar e manter talento nos EUA. Uma suspensão deste tipo não altera por si só os resultados, mas pode dificultar planeamento e recrutamento em áreas onde a oferta de competências é limitada.
A tecnologia entra no debate migratório
A decisão transforma a contratação de trabalhadores estrangeiros qualificados num tema de risco político para as tecnológicas. O governo norte-americano está a associar vistos, certificações laborais e despedimentos a uma narrativa de proteção do emprego interno.
O setor tecnológico tem historicamente recorrido a talento internacional, sobretudo em funções especializadas. Se o escrutínio regulatório aumentar, as empresas podem ter de ajustar a forma como justificam contratações, despedimentos e pedidos de residência permanente nos EUA.



