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Inteligência Artificial

Apple, Meta e Google testam wearables de IA sob pressão da privacidade

As grandes tecnológicas querem transformar óculos, relógios, anéis e assistentes pessoais no próximo formato de consumo da IA. A reação contra câmaras discretas e dispositivos sempre a ouvir tornou-se um obstáculo central.

Redação Clareza
04 de outubro de 2026, 21:033 min de leitura
Apple, Meta e Google testam wearables de IA sob pressão da privacidade

O que se passou

Apple, Google e Meta estão a acelerar a chegada de novos dispositivos e assistentes com inteligência artificial, numa altura em que cresce a discussão sobre privacidade nos wearables. A aposta inclui óculos, relógios, anéis, charms e pendentes que prometem levar a IA para interações diárias mais constantes.

A Meta apresentou na semana passada o Muse Charm, uma caixa personalizada para a sua app de agente pessoal, com um aspeto inspirado num Tamagotchi. O produto chegou ao topo da lista de apps gratuitas da App Store da Apple. A empresa também continua a lançar novas versões dos óculos Meta Ray-Ban com IA, em vários modelos e preços.

A Apple mostrou no início de setembro os seus dispositivos mais recentes, incluindo funcionalidades de IA no Watch Series 12 capazes de ouvir conversas. A OpenAI lançou esta semana o assistente pessoal Dots e trabalha com Jony Ive em dispositivos de consumo, embora a primeira oferta não pareça ser um wearable, de acordo com a Bloomberg.

O momento de maior cautela veio da Oura. A fabricante de anéis inteligentes adiou na terça-feira a sua esperada estreia em bolsa, apesar de ter sinalizado procura forte pelos seus produtos. A empresa apontou a incerteza no mercado de IPOs, mas alguns analistas questionaram se essa foi a única razão.

O que isto significa

A corrida aos wearables de IA mostra que as tecnológicas procuram um novo ponto de contacto com o consumidor, para lá do smartphone. Se a IA estiver em óculos, relógios ou acessórios usados todo o dia, as empresas podem aumentar a frequência de utilização dos seus assistentes e criar novos hábitos de consumo.

O problema é que a utilidade ainda tem de compensar o desconforto social. Óculos com câmaras discretas já foram associados nas redes sociais a gravações sem consentimento, e há relatos de situações em encontros e vendas presenciais em que pessoas dizem ter sido fotografadas ou filmadas sem autorização.

Para a Meta, a questão é especialmente sensível porque os seus óculos Ray-Ban AI são um dos exemplos mais visíveis desta categoria. Gil Luria, analista da DA Davidson, disse que a resistência a óculos com câmaras é difícil de ultrapassar neste momento e defendeu que a categoria poderá ter de ser reavaliada mais tarde.

Para quem investe, a adoção destes produtos depende menos da demonstração tecnológica e mais da aceitação social. Um dispositivo de IA usado no corpo só escala se as pessoas à volta aceitarem a presença de microfones e câmaras em espaços comuns. Essa barreira pode influenciar receitas futuras, reputação de marca e o ritmo de lançamento de novos produtos.

Porque deves querer saber

Os óculos de IA encontram resistência social

A Meta tem mais exposição imediata ao tema porque os seus óculos Ray-Ban AI já estão no mercado e têm câmaras discretas. A crítica nas redes sociais ganhou força com relatos de gravações sem consentimento e com a perceção de que estes dispositivos podem ser usados para assédio ou vigilância.

Essa reação afeta a forma como a categoria é vista antes de chegar a uma escala maior. Mesmo que a tecnologia funcione, a adoção pode abrandar se ginásios, espaços privados ou comunidades impuserem restrições ao uso de wearables com gravação.

A IA de consumo precisa de ganhar confiança fora do ecrã

Apple, Google, Meta e OpenAI estão a tentar levar a IA para objetos usados no corpo ou sempre presentes no dia a dia. O objetivo é tornar os assistentes mais úteis porque conseguem captar contexto, ouvir conversas ou acompanhar rotinas.

A discussão sobre segurança e privacidade da IA nos Estados Unidos torna esse avanço mais difícil. Data centers, câmaras, microfones e scanners já aparecem no mesmo debate público sobre vigilância. Os wearables entram nessa conversa porque aproximam a recolha de dados do corpo e dos espaços pessoais.

Fontes

As empresas desta notícia

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