Lucro da Jerónimo Martins cai 14,5% até setembro
O grupo faturou 27,8 mil milhões de euros nos primeiros nove meses de 2026, mais 4,8%. A margem operacional melhorou, apesar da descida do resultado líquido.
O que se passou
A Jerónimo Martins registou um resultado líquido de 414 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2026, uma queda de 14,5% face ao mesmo período de 2025. Os resultados foram divulgados a 28 de outubro à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, a entidade que supervisiona o mercado de capitais português.
As vendas do grupo dono do Pingo Doce e do Recheio atingiram 27,8 mil milhões de euros, mais 4,8% em termos homólogos. O negócio em Portugal também contribuiu para o crescimento da faturação.
O EBITDA, resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações, aumentou 7,6%, para 1,9 mil milhões de euros. A respetiva margem passou de 6,8% para 7%.
A empresa enquadrou estes resultados num ambiente de forte concorrência e de maior procura dos consumidores por preços baixos e promoções. Referiu ainda a desaceleração da subida dos preços no retalho alimentar, que deu lugar a descidas na Polónia, e o aumento dos custos com combustíveis.
O que isto significa
As vendas e o EBITDA cresceram, mas esse progresso não se traduziu num aumento do resultado líquido. A diferença é relevante para avaliares os resultados. A atividade gerou mais resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações, enquanto o lucro final recuou.
A melhoria da margem de EBITDA mostra que este resultado cresceu mais depressa do que a faturação. Os dados divulgados, porém, não permitem identificar a causa da queda do lucro líquido nem explicar a distância entre os dois indicadores.
A descida dos preços alimentares na Polónia torna mais exigente o crescimento das vendas em valor. Ao mesmo tempo, a procura por promoções e a concorrência aumentam a importância de controlar custos para preservar a rentabilidade.
Na entrada para a época de Natal e Ano Novo, a Jerónimo Martins afirma que pretende manter ofertas competitivas e proteger a eficiência dos negócios. A empresa não espera um alívio da pressão dos combustíveis, tanto sobre a operação como sobre os rendimentos das famílias.
Porque deves querer saber
Mais vendas não chegaram ao lucro final
A Jerónimo Martins aumentou a faturação e melhorou a margem de EBITDA. Estes indicadores mostram uma evolução operacional mais favorável do que a queda do resultado líquido, por si só, poderia sugerir.
Se acompanhas as ações do grupo, a distinção evita confundires o desempenho da operação com o lucro final. A explicação para a queda deste último não pode ser retirada apenas dos números divulgados.
Preços mais baixos exigem maior eficiência
A desaceleração dos preços alimentares, e a sua descida na Polónia, reduz o impulso que os aumentos de preços podem dar à faturação. O grupo enfrenta também consumidores mais atentos às promoções e uma concorrência intensa.
A pressão dos combustíveis acrescenta custos à operação e pesa no orçamento das famílias. Para o retalho alimentar, esta combinação torna a eficiência especialmente relevante na época de Natal e Ano Novo.


