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Intel cai até 25% antes da abertura ao prever quebra nas receitas

A procura de memória para inteligência artificial está a encarecer os computadores e a reduzir as encomendas de chips. A Intel prevê uma queda superior a 20% nas receitas da divisão de PCs no quarto trimestre.

Redação Clareza
30 de outubro de 2026, 12:013 min de leitura
Intel cai até 25% antes da abertura ao prever quebra nas receitas

O que se passou

As ações da Intel chegaram a cair 25% nas negociações antes da abertura de sexta-feira, 30 de outubro, depois da divulgação dos resultados e das previsões para o quarto trimestre. Pelas 7h45 da costa leste dos Estados Unidos, negociavam a 68,48 dólares, face aos 92,07 dólares do fecho de quinta-feira.

A fabricante de semicondutores registou receitas de 16,5 mil milhões de dólares no terceiro trimestre, mais 20% do que um ano antes. Para o quarto trimestre, prevê entre 15 mil milhões e 16 mil milhões de dólares de receitas e um resultado por ação de 0,25 dólares, abaixo dos 0,52 dólares do trimestre anterior.

A divisão que vende chips para computadores pessoais faturou 8,1 mil milhões de dólares no terceiro trimestre, menos 9% do que no trimestre anterior. A Intel espera que as receitas desta área recuem mais de 20% no quarto trimestre. A empresa associa a pressão à subida dos preços e à menor disponibilidade de memória, que encarecem os computadores e levam os fabricantes a encomendar menos chips.

O negócio de data centers, instalações que alojam servidores, teve uma evolução diferente. As receitas cresceram quase 80% em termos homólogos, para 7,3 mil milhões de dólares. A Intel também antecipou um impacto negativo de cerca de 300 milhões de dólares nas receitas do quarto trimestre devido à paragem de duas semanas numa fábrica em Israel, após um acidente.

O que isto significa

O crescimento das receitas no terceiro trimestre não impediu a queda das ações. As previsões apontam para uma redução sequencial da faturação e do resultado por ação, com uma deterioração mais acentuada no negócio de computadores pessoais.

A expansão da inteligência artificial tem efeitos diferentes dentro da Intel. A procura favorece o negócio de data centers, mas também absorve memória necessária aos computadores. Com componentes mais caros e difíceis de obter, os fabricantes de PCs reduzem as encomendas de processadores.

A Intel prevê que as vendas mundiais de computadores pessoais caiam cerca de 12% este ano e aproximadamente mais 10% em 2027. O diretor financeiro, Dave Zinsner, afirmou que a empresa não espera uma recuperação sustentada antes de melhorar a disponibilidade de memória e de os preços começarem a normalizar.

Se acompanhas a Intel, a evolução das receitas dos data centers precisa, por isso, de ser lida em conjunto com a quebra nos PCs. As ações acumulavam uma valorização superior a 130% desde o início de 2026, embora essa subida já tivesse perdido força nas últimas semanas.

Porque deves querer saber

Os PCs travam as perspetivas da Intel

A divisão de computadores pessoais ainda gerou mais receitas no terceiro trimestre do que o negócio de data centers. A previsão de uma queda superior a 20% nesta área ajuda a perceber a dimensão da pressão sobre as receitas totais esperadas para o quarto trimestre.

A paragem da fábrica em Israel acrescenta uma perda de receitas prevista de cerca de 300 milhões de dólares. Para avaliares os próximos resultados, importa distinguir este impacto da pressão sobre os PCs, cuja recuperação a Intel faz depender da oferta e dos preços da memória.

A procura de IA encarece os computadores

O investimento em inteligência artificial não beneficia todo o setor dos semicondutores da mesma forma. A procura de memória e de chips para servidores está a criar limitações de oferta que aumentam os custos dos computadores pessoais.

Isso liga a expansão da IA à fragilidade de outro mercado tecnológico. As previsões da Intel para as vendas mundiais de PCs mostram que a empresa espera que essa pressão se prolongue até 2027, mesmo com o forte crescimento do seu negócio de data centers.

Fontes

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