Honda alerta para impacto de tarifas de 50% sobre veículos canadianos
Donald Trump ameaça duplicar as tarifas a 1 de janeiro se não houver acordo com o Canadá. A Honda defende um entendimento que inclua também o México.
O que se passou
A Honda alertou, em 27 de outubro, para consequências que considera potencialmente «catastróficas» para a indústria automóvel se os Estados Unidos e o Canadá não alcançarem um novo acordo comercial até ao final do ano.
Donald Trump ameaçou aumentar de 25% para 50% as tarifas sobre veículos e peças provenientes do Canadá a partir de 1 de janeiro, caso as negociações não produzam um acordo. A ameaça foi feita em agosto.
Jennifer Thomas, vice-presidente sénior de assuntos corporativos da American Honda Motor, fez o alerta numa conferência da Reuters em Detroit. A responsável defendeu um acordo que inclua também o México, preservando o enquadramento trilateral do Acordo Estados Unidos–México–Canadá, conhecido pela sigla USMCA.
Meses antes, o representante dos Estados Unidos para o Comércio, Jamieson Greer, tinha anunciado que o país não prolongaria automaticamente o USMCA por 16 anos. O acordo, em vigor desde 2020, passou antes para um processo de revisão anual.
Thomas disse estar cautelosamente otimista quanto à possibilidade de evitar a subida das tarifas. Apontou como sinal encorajador as notícias sobre a retoma das conversações entre Washington e Otava, incluindo o alívio de taxas sobre materiais como o alumínio.
O que isto significa
A ameaça ainda não corresponde a uma tarifa de 50% em vigor. Para avaliares o risco, a distinção é essencial. O aumento depende da ausência de um acordo até ao prazo definido por Trump.
A Honda é o segundo maior produtor de veículos no Canadá, atrás da Toyota. Ao mesmo tempo, mais de 60% dos veículos que vende nos Estados Unidos são fabricados nas suas unidades norte-americanas. Essa produção local não elimina a exposição às peças que atravessam as fronteiras durante o fabrico.
O risco vai, por isso, além dos automóveis acabados importados do Canadá. A circulação de componentes entre países liga as fábricas da região, tornando as condições comerciais relevantes também para a produção realizada nos Estados Unidos.
A comparação com outros fornecedores ajuda a perceber a preocupação da Honda. Os acordos negociados pela administração Trump com o Japão e a Coreia do Sul incluem tarifas de 15% sobre veículos, abaixo dos 25% aplicados aos canadianos e dos 50% agora ameaçados.
As negociações com o Canadá e o futuro do USMCA passam a ser fatores a acompanhar na avaliação das fabricantes com operações na região. A revisão anual mantém a discussão sobre as regras comerciais em aberto, em vez de assegurar a extensão de 16 anos.
Porque deves querer saber
A produção nos EUA não elimina a exposição
A Honda fabrica nos Estados Unidos mais de 60% dos veículos que aí vende, mas mantém uma operação relevante no Canadá. A sua exposição não pode ser avaliada apenas pelo local onde cada automóvel é montado.
As peças atravessam regularmente as fronteiras durante a produção. Se acompanhas a empresa, as condições de importação desses componentes são tão relevantes para compreender o risco como as tarifas sobre veículos acabados.
As tarifas podem penalizar a produção regional
As associações que representam a Honda e os principais fabricantes nos Estados Unidos defendem um acordo trilateral, em vez de entendimentos separados entre dois países. Procuram preservar regras comuns para uma indústria cuja produção está distribuída pela América do Norte.
Com tarifas de 15% previstas nos acordos com o Japão e a Coreia do Sul, os veículos canadianos enfrentam condições menos favoráveis. É essa diferença que sustenta a preocupação de Thomas com a competitividade da indústria norte-americana.

