General Motors supera previsões e anuncia recompra de 20 mil milhões de dólares
A fabricante aumentou a previsão de fluxo de caixa para 2026, mas a perspetiva de resultados ficou aquém do esperado pelos analistas. As ações recuavam cerca de 5%.
O que se passou
A General Motors apresentou, a 20 de outubro, resultados do terceiro trimestre acima das expectativas de Wall Street e anunciou um novo programa plurianual de recompra de ações de 20 mil milhões de dólares. A empresa já concluiu o programa de 6 mil milhões anunciado em janeiro e não indicou um prazo concreto para terminar o novo.
O resultado líquido atribuível aos acionistas atingiu 3,3 mil milhões de dólares, contra 1,3 mil milhões no mesmo período do ano anterior. O resultado operacional ajustado foi de 4,1 mil milhões de dólares, dos quais 3,6 mil milhões vieram das operações na América do Norte.
Para 2026, a GM estreitou a previsão de resultado operacional ajustado para um intervalo entre 14,5 mil milhões e 15,5 mil milhões de dólares. O resultado ajustado por ação deverá situar-se entre 12,75 e 13,75 dólares. O ponto médio de 13,25 dólares ficou abaixo dos 13,41 dólares esperados pelos analistas consultados pela LSEG.
A fabricante elevou a previsão de fluxo de caixa livre ajustado do negócio automóvel para entre 11,5 mil milhões e 12,5 mil milhões de dólares. Em julho, apontava para 9,5 mil milhões a 11,5 mil milhões. Apesar da melhoria, as ações recuavam cerca de 5% durante a sessão, com a perspetiva anual abaixo das expectativas.
O que isto significa
A GM prevê gerar mais caixa no negócio automóvel, mas não aumentou o limite superior da previsão de resultados. Face a julho, subiu o limite inferior e reduziu o superior. A diferença ajuda a perceber por que razão um trimestre acima das estimativas não foi suficiente para satisfazer o mercado.
A pressão dos custos continua a limitar os resultados. A empresa espera cerca de 2 mil milhões de dólares em custos associados à inflação, no topo da estimativa anterior, incluindo aumentos na logística e nos chips de memória DRAM. Os custos com garantias também deverão ficar na parte superior do intervalo previsto, entre mil milhões e 1,5 mil milhões de dólares.
O diretor financeiro da GM, Paul Jacobson, afirmou que os preços dos veículos estão relativamente estáveis e que o quarto trimestre deverá ser mais fraco do que o terceiro. A empresa vai avaliar a situação dos consumidores antes de decidir se repercute os custos através de aumentos de preços superiores ao habitual.
Se acompanhas a GM, a nova recompra mostra a dimensão do capital que a empresa pretende devolver aos acionistas. Mas a ausência de um prazo concreto não permite saber a que ritmo será executada. A evolução das margens, pressionadas pelos custos e pela dificuldade em subir preços, continua a ser relevante para avaliar a capacidade de sustentar essa devolução de capital.
Porque deves querer saber
A América do Norte sustenta os resultados
As operações norte-americanas geraram 3,6 mil milhões dos 4,1 mil milhões de dólares de resultado operacional ajustado do trimestre. O desempenho da GM continua, por isso, muito dependente deste negócio.
A subida da previsão de fluxo de caixa e a nova recompra mostram capacidade para remunerar os acionistas. Ainda assim, vários analistas destacaram o risco de os custos mais elevados e a pressão sobre os preços dos veículos limitarem o crescimento dos resultados no próximo ano.
Os custos sobem sem aumentos equivalentes nos preços
A GM enfrenta custos mais elevados com matérias-primas, logística e chips de memória, enquanto os preços dos veículos permanecem relativamente estáveis. A empresa está a absorver essa pressão sem a compensar através de aumentos equivalentes nos preços.
A decisão de repercutir mais custos nos compradores dependerá da situação dos consumidores no próximo ano, segundo o diretor financeiro. Essa avaliação será relevante para perceber até onde a fabricante consegue proteger as margens sem exigir mais aos clientes.

