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Mercados

ETF de ações brasileiras cai 25% antes da abertura após vitória de Lula

A vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro surpreendeu os investidores e inverteu a subida dos ativos brasileiros. A queda reportada ainda não corresponde a uma perda confirmada no fecho.

Redação Clareza
26 de outubro de 2026, 19:032 min de leitura
ETF de ações brasileiras cai 25% antes da abertura após vitória de Lula

O que se passou

O iShares MSCI Brazil ETF, um fundo cotado que acompanha ações brasileiras e negoceia com o símbolo EWZ, caiu 25% antes da abertura de segunda-feira, 26 de outubro, segundo a Yahoo Finance.

O movimento surgiu depois de Luiz Inácio Lula da Silva vencer Flávio Bolsonaro na segunda volta das eleições presidenciais brasileiras, realizada a 25 de outubro. Bolsonaro tinha liderado a primeira volta, no início do mês, alimentando uma subida dos ativos brasileiros.

As ações da Petrobras, empresa energética maioritariamente detida pelo Estado brasileiro, recuaram 16% nas negociações iniciais. A Nu Holdings, dona do banco digital Nubank, perdeu 18%.

As variações foram registadas antes da abertura ou nas negociações iniciais. Não representam perdas confirmadas no fecho da sessão.

O que isto significa

A reação inverte as expectativas que tinham sustentado a subida das ações brasileiras após a primeira volta. Os investidores viam Flávio Bolsonaro como um candidato mais favorável às empresas e à contenção da despesa pública.

A reeleição de Lula volta a colocar as contas públicas e o ritmo das futuras descidas dos juros no centro da avaliação do mercado. A questão para as empresas é como a política orçamental poderá condicionar o custo do financiamento.

Antes do resultado eleitoral, Benjamin Mandel, economista da Jubarte Capital, alertara que a ausência de um enquadramento orçamental mais credível poderia prolongar os juros elevados e interromper o ciclo de descidas. Trata-se da avaliação do economista, não de uma decisão já tomada sobre as taxas.

Se acompanhas o EWZ ou ações brasileiras, a distinção entre a queda antes da abertura e o resultado final da sessão é essencial. Os valores iniciais mostram uma reação acentuada à surpresa eleitoral, mas ainda não fixam a dimensão da perda diária.

Porque deves querer saber

A surpresa eleitoral desfaz a subida anterior

O resultado contrariou o cenário que tinha favorecido os ativos brasileiros após a primeira volta. A queda do EWZ mostra uma revisão abrupta dessas expectativas, acompanhada por perdas na Petrobras e na dona do Nubank.

A reação não ficou limitada a uma empresa. Para quem tem exposição a ações brasileiras, o movimento evidencia como uma mudança nas expectativas políticas pode afetar simultaneamente empresas de setores diferentes.

As contas públicas voltam a pesar nos juros

O debate orçamental tem consequências para além da bolsa. Na avaliação de Benjamin Mandel, a falta de um enquadramento mais credível para as contas públicas pode manter os juros elevados e tornar o mercado mais sensível aos anúncios do Governo.

Esse risco liga a política económica às condições de financiamento das empresas. Os próximos anúncios orçamentais serão relevantes para avaliar se os receios que marcaram a reação eleitoral encontram resposta.

Fontes

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