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Energia

Petróleo cai com novos esforços de paz entre os EUA e o Irão

O Brent recuou para 113,32 dólares por barril e o WTI caiu para 100,66 dólares. Os contactos diplomáticos aliviaram os receios sobre a oferta, mas ainda não há acordo.

Redação Clareza
29 de outubro de 2026, 11:023 min de leitura
Petróleo cai com novos esforços de paz entre os EUA e o Irão

O que se passou

Os preços do petróleo desceram na quinta-feira, 29 de outubro, com a perspetiva de retoma das negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irão. Os futuros do Brent caíram 1,73%, para 113,32 dólares por barril, enquanto os do West Texas Intermediate, a referência norte-americana conhecida por WTI, recuaram 2,06%, para 100,66 dólares.

A queda seguiu-se à notícia de que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, tinha contactado o responsável do Conselho de Segurança iraniano, Mohsen Rezaei, para tentar reabrir as negociações. A informação foi avançada pelo Wall Street Journal, que citou responsáveis norte-americanos e pessoas conhecedoras das conversações.

Mediadores do Qatar terão também apresentado uma nova proposta para terminar o conflito que envolve o Irão, os EUA e Israel. Um alto responsável iraniano rejeitou as propostas, considerando-as inaceitáveis. Ainda assim, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou na rede social X que Teerão continuava disponível para esforços diplomáticos.

O que isto significa

A descida reflete um alívio dos receios de interrupção do abastecimento, não uma resolução do conflito. A rejeição das propostas por um responsável iraniano mostra que continuam a existir obstáculos a um acordo, apesar da abertura pública à diplomacia.

Os investidores continuam também a avaliar o risco de ataques dos houthis e de uma eventual ação militar norte-americana contra o Irão. Estas ameaças têm mantido o petróleo em níveis elevados, pressionando a inflação e tornando mais incerta a evolução da política monetária.

José Torres, economista sénior da Interactive Brokers, defendeu numa nota divulgada na quarta-feira que o petróleo caro continua a ser o principal motor da inflação acima do objetivo. Na sua avaliação, uma pressão concentrada na energia justifica maior paciência por parte da Reserva Federal, o banco central dos EUA, sobretudo enquanto a inflação subjacente se mantiver relativamente contida.

Se acompanhas as expectativas para os juros, a duração deste alívio importa mais do que uma única sessão de queda. Torres considera que uma resolução geopolítica poderia reduzir a pressão inflacionista e afastar o foco de novas subidas de taxas. Trata-se de uma possibilidade dependente de avanços diplomáticos, ainda por confirmar.

Porque deves querer saber

O alívio na oferta ainda depende de um acordo

A queda dos contratos de petróleo mostra como a perspetiva de negociações pode aliviar rapidamente os receios sobre o abastecimento. O Brent e o WTI recuaram sem que tivesse sido anunciado um acordo de paz.

Se acompanhas o mercado petrolífero, a diferença entre contactos diplomáticos e compromissos concretos é decisiva. A disponibilidade de Teerão para negociar coexiste com a rejeição de propostas, pelo que o risco de interrupções na oferta não desapareceu.

O petróleo pesa nas decisões sobre os juros

A energia cara mantém pressão sobre a inflação mesmo quando outras componentes dos preços estão mais contidas. Isso dificulta a resposta dos bancos centrais, porque juros mais altos não resolvem diretamente uma interrupção no fornecimento de petróleo.

Torres alerta que uma reação demasiado agressiva a um choque de oferta pode enfraquecer o emprego e agravar vulnerabilidades no crédito. Para os teus investimentos, a evolução do conflito importa também pelo efeito que pode ter nas expectativas sobre as taxas de juro.

Fontes

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