EUA propõem limitar investimento em tecnologias sensíveis na China
As propostas abrangem inteligência artificial, semicondutores avançados e biotecnologia. As regras ainda vão passar por consulta pública antes da aprovação definitiva.
O que se passou
O Governo dos Estados Unidos propôs novas restrições ao investimento de empresas norte-americanas em tecnologias sensíveis na China. O Departamento do Tesouro apresentou na quinta-feira propostas regulamentares para aplicar a Lei de Segurança Nacional sobre Investimentos no Exterior, aprovada em 2025.
O âmbito inclui semicondutores avançados, inteligência artificial e tecnologias militares, como armamento hipersónico. Abrange também determinados compostos e materiais biotecnológicos e interfaces cérebro-computador, que permitem a comunicação entre o cérebro e dispositivos.
Na biotecnologia, as propostas incluem determinados tratamentos que modificam células ou genes dos pacientes, bem como imunoterapias. O projeto identifica riscos de utilização de algumas destas tecnologias no desenvolvimento de armas biológicas e em atividades militares ou de vigilância.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que as medidas procuram impedir que investimento norte-americano financie tecnologias que ameacem a segurança nacional. As propostas serão submetidas a consulta pública antes da aprovação definitiva. A legislação também visa investimentos noutros países considerados adversários pelos EUA, incluindo a Rússia e o Irão.
O que isto significa
As restrições ainda não são regras definitivas. Para avaliares a exposição de uma empresa, importa distinguir o alcance agora proposto das obrigações que vierem a ser aprovadas após a consulta pública.
A biotecnologia leva o controlo do investimento para áreas diretamente ligadas ao desenvolvimento de medicamentos. A indústria norte-americana tem recorrido cada vez mais à China nas fases iniciais desse trabalho, pelo que as medidas podem afetar relações de financiamento e desenvolvimento já relevantes para o setor.
A Biotechnology Innovation Organization, principal associação do setor nos Estados Unidos, manifestou reservas quanto à abrangência das propostas. A associação receia que regras demasiado amplas criem incerteza para investidores e empresas e prejudiquem a competitividade da biotecnologia norte-americana.
A iniciativa surge depois de Donald Trump e Xi Jinping terem acordado prolongar a trégua comercial. Essa aproximação não impediu Washington de avançar com novos controlos sobre o capital destinado a tecnologias com aplicações civis e militares.
Porque deves querer saber
Biotecnologia enfrenta novas limitações ao financiamento
As propostas podem condicionar o investimento norte-americano em segmentos da biotecnologia chinesa ligados a tratamentos celulares, genéticos e imunoterapias. A ligação ao desenvolvimento de medicamentos torna o alcance das regras relevante também para empresas fora da indústria militar.
Se acompanhas empresas que recorrem à China nas fases iniciais de investigação, o texto final ajudará a perceber quais dessas relações ficam abrangidas. A consulta pública será uma oportunidade para o setor contestar limitações que considera demasiado amplas.
A utilização militar pesa sobre tecnologias civis
Washington pretende controlar fluxos de capital para tecnologias que podem servir fins médicos ou comerciais e, ao mesmo tempo, ter aplicações militares. O controlo do investimento passa assim por distinguir utilizações dentro de uma mesma área tecnológica.
Craig Singleton, investigador da Fundação para a Defesa das Democracias, considera a biotecnologia o elemento mais significativo das propostas. Na sua avaliação, algumas tecnologias que permitem desenvolver medicamentos também podem reforçar capacidades militares chinesas ou aumentar a dependência norte-americana das cadeias de abastecimento da China.

