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Inteligência Artificial

Altman diz que corrigir falhas já não chega para proteger o software

O líder da OpenAI defende uma mudança nas defesas informáticas, depois de modelos de IA ajudarem a descobrir falhas críticas em PHP. A CrowdStrike acumula uma valorização de 120,03% no ano até 23 de outubro.

Redação Clareza
26 de outubro de 2026, 11:023 min de leitura
Altman diz que corrigir falhas já não chega para proteger o software

O que se passou

O presidente executivo da OpenAI, Sam Altman, considera que corrigir vulnerabilidades uma a uma deixou de ser suficiente para proteger o software. Numa entrevista noticiada pelo Gizmodo em 23 de outubro, defendeu que as defesas precisam de ser redesenhadas em torno da inteligência artificial.

O alerta surge após investigadores da Wiz e da Calif terem usado modelos da OpenAI e da Google para descobrir duas falhas críticas em PHP, uma tecnologia usada em sites. Segundo o BigGo Finance, a descoberta ocorreu em agosto de 2026. O trabalho da Calif integrou uma auditoria parcialmente financiada pela OpenAI.

A PHP Foundation disponibilizou uma correção em 21 de outubro. As vulnerabilidades podiam permitir o controlo de servidores e o roubo de dados. A Reuters noticiou a indisponibilidade de sites governamentais, e o BigGo Finance identificou interrupções temporárias no Reino Unido, na Finlândia e no Japão. A Moody’s indicou que as falhas estavam a ser exploradas.

Na bolsa, a CrowdStrike acumulava uma subida de 120,03% desde o início do ano até ao fecho de 23 de outubro. No segundo trimestre fiscal, a empresa registou 332,8 milhões de dólares de novas receitas recorrentes anualizadas líquidas, um crescimento de 51%. Este indicador mede o valor anual dos novos contratos recorrentes, descontando as perdas de contratos existentes.

O que isto significa

A IA pode ajudar a encontrar vulnerabilidades antes de estas serem exploradas, mas também aumenta o volume de problemas que as organizações têm de resolver. A tese de Altman é que a descoberta está a avançar mais depressa do que a capacidade de aplicar correções. Trata-se de uma avaliação do líder da OpenAI, que também tem interesse comercial no uso de IA para segurança.

Para a CrowdStrike, esta necessidade de proteção pode favorecer a procura pelos seus serviços. O crescimento das novas receitas recorrentes mostra expansão do negócio, mas não demonstra que as falhas de PHP tenham gerado contratos adicionais. Os resultados trimestrais e o incidente são acontecimentos distintos.

A valorização das ações também exige atenção. O Deutsche Bank considera as empresas de infraestruturas e cibersegurança, incluindo a CrowdStrike, potenciais beneficiárias do maior uso de IA, mas assinala que as avaliações já incorporam parte dessa oportunidade.

Se acompanhas a CrowdStrike, a diferença entre crescimento do negócio e expectativas da bolsa é relevante. A ação negociava perto de 232 vezes os resultados dos últimos doze meses. O preço-alvo médio dos analistas, de 247,25 dólares, estava abaixo da cotação recente de 257,57 dólares, pelo que o consenso não apontava para uma valorização adicional face a esse nível.

Porque deves querer saber

A subida da CrowdStrike já incorpora expectativas

A valorização de 120,03% torna a CrowdStrike um exemplo da distância que pode existir entre uma oportunidade de negócio e o preço pago por ela. A procura por proteção pode aumentar sem que isso signifique que as ações ainda não refletem esse crescimento.

Os 332,8 milhões de dólares de novas receitas recorrentes anualizadas líquidas ajudam a medir a expansão comercial. Para avaliares a evolução da empresa, esse indicador permite distinguir contratos efetivos do entusiasmo em torno da segurança com IA.

Encontrar falhas não basta para as corrigir

As vulnerabilidades em PHP mostram que descobrir um problema e eliminar a exposição são tarefas diferentes. Mesmo depois de existir uma correção, as organizações precisam de a aplicar aos sistemas afetados. Segundo a CNBC, as autoridades norte-americanas recomendaram correções imediatas ou a retirada de serviço de sistemas antigos vulneráveis.

O presidente executivo da Cloudflare, Matthew Prince, alertou para outras falhas críticas ainda por corrigir em software essencial. Para o setor, o desafio não está apenas em melhorar a deteção com IA. Está também em conseguir atualizar os sistemas sem prolongar a exposição ou interromper serviços.

Fontes

As empresas desta notícia

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