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Macroeconomia

China confirma contactos para encontro entre Xi, Trump e Putin

A reunião poderá realizar-se em novembro, em Shenzhen, à margem da cimeira da APEC. Os contactos decorrem com a trégua comercial entre Washington e Pequim perto de expirar em janeiro.

Redação Clareza
07 de novembro de 2026, 19:013 min de leitura
China confirma contactos para encontro entre Xi, Trump e Putin

O que se passou

A China confirmou pela primeira vez que está a discutir uma reunião entre Xi Jinping, Donald Trump e Vladimir Putin. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, disse esta semana, em Pequim, que estão em curso contactos com as partes envolvidas.

O encontro ainda não está definido. Segundo a Associated Press, poderá acontecer em novembro, em Shenzhen, no sul da China, à margem da cimeira da Cooperação Económica da Ásia e do Pacífico, conhecida como APEC. O grupo reúne 21 membros, entre os quais os Estados Unidos e a Rússia.

Trump deverá deslocar-se a Shenzhen para se reunir com Xi pela terceira vez este ano. Os dois países mantêm uma frágil trégua comercial que deverá terminar em janeiro.

As tensões comerciais continuam presentes. Numa videochamada com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, o representante do Comércio dos EUA, Jamieson Greer, pediu medidas concretas para cumprir compromissos anteriores, sobretudo nas compras de produtos agrícolas e nas terras raras e outros minerais críticos, segundo o gabinete norte-americano.

O que isto significa

A confirmação dos contactos não equivale a um acordo para realizar a reunião, nem a um avanço nas negociações comerciais. Para avaliares o alcance do encontro, a distinção relevante está entre uma oportunidade de diálogo e compromissos que alterem as condições de comércio.

O prazo da trégua comercial dá peso à reunião prevista entre Trump e Xi. As exigências de Washington mostram que o cumprimento dos compromissos sobre produtos agrícolas e minerais críticos continua por resolver, mesmo com os contactos ao mais alto nível.

Um encontro com Putin acrescentaria objetivos diferentes à mesma mesa. Trump manifestou interesse em discutir o controlo de armas nucleares, enquanto o Presidente russo está focado na guerra na Ucrânia, sem a presença de Kiev nas conversações.

Sun Yun, diretora do programa sobre a China no Stimson Center, considera provável a realização do encontro, mas vê Pequim mais interessada na imagem diplomática do que nos custos de negociações substantivas. A eventual fotografia conjunta não deve, por isso, ser confundida com um entendimento sobre comércio ou segurança.

Porque deves querer saber

Os compromissos comerciais continuam por cumprir

O pedido de Washington sobre compras agrícolas e minerais críticos mantém estes setores no centro da relação entre as duas economias. A reunião prevista entre Trump e Xi decorre sem que essas divergências tenham sido ultrapassadas.

Se acompanhas empresas expostas ao comércio entre os EUA e a China, os compromissos concretos terão mais relevância do que a realização da cimeira. Os contactos anunciados ainda não trazem novas condições comerciais nem uma extensão da trégua.

A fotografia pode valer mais do que os acordos

Os três líderes chegam aos contactos com prioridades distintas. Essa divergência limita a possibilidade de transformar uma reunião conjunta em negociações substantivas, na avaliação dos especialistas citados.

Danny Russel, antigo alto funcionário do Departamento de Estado norte-americano e atual investigador sénior no Asia Society Policy Institute, considera que Putin seria o principal beneficiário diplomático. Para quem investe, a aproximação visual entre os líderes não demonstra, por si só, uma redução das tensões que afetam as relações económicas.

Fontes

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