Casas em Lisboa e Cascais superam os 5.000 euros por metro quadrado
O preço mediano da habitação em Portugal subiu 18,4% no segundo trimestre, para 2.445 euros por metro quadrado. São João da Madeira e Póvoa de Varzim registaram os maiores aumentos.
O que se passou
Lisboa e Cascais registaram preços medianos de venda de habitação superiores a 5.000 euros por metro quadrado no segundo trimestre de 2026. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), Lisboa atingiu 5.299 euros e Cascais 5.200 euros. Oeiras surgiu a seguir, com 4.704 euros.
No conjunto do país, o preço mediano dos 37.854 alojamentos familiares vendidos foi de 2.445 euros por metro quadrado, mais 18,4% do que no mesmo trimestre do ano anterior. O crescimento abrandou ligeiramente, mas os preços continuaram a subir.
Nas freguesias de Lisboa, os dados dos 12 meses terminados em junho mostram Santo António no topo, com 7.254 euros por metro quadrado. Parque das Nações, Avenidas Novas, Campo de Ourique e Misericórdia também ultrapassaram os 6.000 euros. Santa Clara foi a única freguesia da capital abaixo de 4.000 euros, com 3.850 euros.
São João da Madeira e Póvoa de Varzim lideraram as subidas homólogas no segundo trimestre, com aumentos de 35,3% e 30,1%, respetivamente. Os preços medianos chegaram a 2.107 euros por metro quadrado em São João da Madeira e a 2.863 euros na Póvoa de Varzim.
O que isto significa
O abrandamento do crescimento não corresponde a uma descida dos preços. A subida de 18,4% significa que o valor mediano das casas transacionadas continuou a aumentar face ao ano anterior, embora a um ritmo ligeiramente inferior.
Lisboa e Cascais apresentam preços por metro quadrado muito superiores à mediana nacional. Se estás a comparar oportunidades de investimento imobiliário, estes valores mostram como o custo de entrada depende da localização. Não permitem, por si só, concluir qual será a rentabilidade, porque os dados apresentados são de vendas e não de rendas.
Os mercados mais caros também não foram os que mais subiram. São João da Madeira registou a maior valorização homóloga, mas manteve um preço mediano inferior ao nacional. A Póvoa de Varzim combinou uma subida expressiva com um valor já acima dessa referência.
Dentro de Lisboa, a evolução também foi desigual. Marvila foi a única das 24 freguesias com uma descida homóloga do preço mediano, de 1,5%, para 4.952 euros por metro quadrado. Uma subida no conjunto do mercado não significa que todas as zonas estejam a acompanhar o mesmo percurso.
Porque deves querer saber
Comprar em Lisboa exige olhar para cada freguesia
O preço mediano de Lisboa esconde diferenças relevantes entre zonas. Nos 12 meses terminados em junho, Santo António registou 7.254 euros por metro quadrado, enquanto Santa Clara ficou nos 3.850 euros. Comparar apenas o valor do município pode ocultar custos de aquisição muito distintos.
O período de medição também conta. Os valores das freguesias abrangem 12 meses, enquanto os 5.299 euros do município dizem respeito ao segundo trimestre. Se usares estes dados para avaliar um imóvel, deves distinguir as duas referências antes de comparar preços.
As maiores subidas não estão nos municípios mais caros
São João da Madeira e Póvoa de Varzim tiveram aumentos superiores a 30%, apesar de apresentarem preços inferiores aos de Lisboa e Cascais. Guimarães e Barcelos também registaram subidas expressivas, de 28,6% e 28,7%, respetivamente. O encarecimento da habitação não se limitou aos mercados com os valores mais elevados.
As diferenças regionais continuam, porém, acentuadas. Beiras e Serra da Estrela, Alto Alentejo, Beira Baixa e Douro foram as únicas regiões com preços abaixo de 900 euros por metro quadrado. A mediana nacional não substitui uma análise local quando comparas o montante necessário para investir.

