Boeing reduz prejuízo para 116 milhões de dólares com subida da defesa
As receitas cresceram 4%, mas a aviação comercial continuou a perder dinheiro. A recuperação depende do aumento da produção e das entregas do 737 Max.
O que se passou
A Boeing registou um prejuízo líquido de 116 milhões de dólares no terceiro trimestre de 2026, terminado a 30 de setembro. No mesmo período do ano anterior, tinha perdido 5,34 mil milhões de dólares. As receitas aumentaram 4%, para 24,19 mil milhões de dólares.
O prejuízo por ação foi de 26 cêntimos de dólar, ou 34 cêntimos após o ajustamento de efeitos pontuais. A comparação beneficia de um encargo de quase 5 mil milhões de dólares que a empresa tinha reconhecido um ano antes no programa do avião 777X, marcado por atrasos.
As receitas da divisão de defesa subiram 15%, para 7,94 mil milhões de dólares. Na aviação comercial, recuaram 3%, para 10,72 mil milhões, apesar da entrega de 161 aviões, mais um do que no período homólogo. A margem operacional desta divisão foi negativa em 6,5%.
O fluxo de caixa livre, o dinheiro que sobra da atividade após o investimento, aumentou de 238 milhões para 464 milhões de dólares. A carteira total de encomendas atingiu um recorde de 745 mil milhões de dólares, incluindo mais de 6.300 aviões comerciais.
A Boeing produz cerca de 47 aviões 737 Max por mês e pretende aumentar esse ritmo no próximo ano. O presidente executivo, Kelly Ortberg, tinha avisado em setembro que a estabilização da produção estava a demorar mais do que o esperado. A empresa deverá atualizar os investidores sobre os planos de produção na apresentação dos resultados.
O que isto significa
A redução do prejuízo aproxima a Boeing do equilíbrio, mas não resulta apenas de uma melhoria da atividade. O encargo extraordinário com o 777X agravou fortemente os resultados do ano anterior, tornando a comparação mais favorável neste trimestre.
A defesa ajudou a sustentar as receitas do grupo, enquanto a aviação comercial continuou sob pressão. A Boeing atribuiu a margem negativa a uma combinação menos favorável de aviões entregues, maiores custos previstos com alterações futuras ao ritmo de produção e estimativas mais elevadas para os custos da cadeia de fornecimento.
Se acompanhas a Boeing, as entregas são essenciais para avaliar a recuperação financeira. A maior parte do preço de um avião é paga quando o cliente o recebe. Por isso, uma carteira de encomendas elevada só se transforma em dinheiro à medida que a empresa consegue produzir e entregar os aparelhos.
A aprovação do 737 Max 10 pela Administração Federal de Aviação dos EUA, a FAA, na semana anterior aos resultados, seguiu-se à certificação do Max 7 em agosto e completou as aprovações da família. Com estas autorizações obtidas, a capacidade de estabilizar e aumentar a produção ganha ainda mais peso na execução das encomendas.
Porque deves querer saber
Entregar mais aviões é essencial para gerar dinheiro
A Boeing aumentou o fluxo de caixa livre, mas entregou praticamente o mesmo número de aviões comerciais do que um ano antes. As receitas desta divisão caíram e a operação continuou deficitária, mostrando que o volume de entregas, por si só, não explica a rentabilidade.
O ritmo de produção do 737 Max será um dos pontos a acompanhar nas próximas atualizações. Como os clientes pagam a maior parte do preço na entrega, a capacidade de concluir os aviões liga diretamente a execução industrial à entrada de dinheiro.
A defesa amortece a fraqueza da aviação comercial
O crescimento de 15% das receitas da defesa ajudou a Boeing a aumentar a faturação total apesar da quebra na aviação comercial. A escolha da empresa pela Marinha dos EUA para desenvolver o caça de próxima geração F/A-XX acrescenta um novo programa à atividade militar.
Os resultados mostram como os dois negócios atravessam momentos diferentes. A defesa trouxe crescimento neste trimestre, enquanto a aviação comercial enfrenta custos de fornecimento e de adaptação da produção que continuam a pesar nas margens.


