Arábia Saudita diz ter intercetado mísseis e drones dos houthis
Os houthis reivindicaram ataques contra aeroportos e instalações energéticas, incluindo da Saudi Aramco. O petróleo tinha encerrado sexta-feira em máximos de seis meses, perante o receio de uma escalada regional.
O que se passou
A coligação liderada pela Arábia Saudita no Iémen anunciou, a 25 de outubro, ter intercetado drones e mísseis lançados pelos houthis, o movimento iemenita apoiado pelo Irão. Entre os destinos dos projéteis estava Riade, a capital saudita.
O porta-voz da coligação, Turki Al-Maliki, afirmou que foram destruídos dois drones e um míssil balístico dirigidos a Riade. Segundo declarações divulgadas pela agência oficial saudita, foram também intercetados dez mísseis balísticos destinados ao sul do país e um míssil de cruzeiro dirigido à cidade de Khamis Mushait.
Os houthis reivindicaram sete operações militares. Disseram ter visado o aeroporto internacional King Khalid, em Riade, instalações da Saudi Aramco em Yanbu, na costa ocidental, e outros aeroportos e infraestruturas energéticas. Estas reivindicações não confirmam que os alvos tenham sido atingidos.
O aeroporto King Khalid anunciou a retoma das operações. Estava encerrado desde um ataque a 10 de outubro que matou pelo menos 13 pessoas e feriu cerca de 300.
Na sexta-feira anterior, os contratos de futuros do Brent subiram 3,1%, para 116,72 dólares por barril, o fecho mais elevado desde 29 de abril. O WTI, referência norte-americana, avançou 3,8%, para 103,27 dólares. Na semana, o Brent ganhou 6,2% e o WTI valorizou 2,3%.
O que isto significa
O risco para o petróleo está na possibilidade de os ataques interromperem a produção ou o transporte de energia. A inclusão de instalações da Saudi Aramco entre os alvos reivindicados coloca esse risco diretamente sobre infraestruturas petrolíferas, mas não há confirmação de danos ou de perdas de produção neste episódio.
A subida de sexta-feira aconteceu antes das interceções agora anunciadas. Refletiu os receios de perturbações na oferta e de novos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, não uma reação do mercado a estes últimos lançamentos.
Donald Trump afirmou na quarta-feira que os Estados Unidos não estavam a negociar com o Irão e que algo aconteceria em breve. O The New York Times noticiou, citando responsáveis norte-americanos, planos para novos ataques após as eleições intercalares de 3 de novembro. Trata-se de planos noticiados, não de uma operação anunciada.
Se acompanhas o setor energético, a distinção decisiva é entre ameaças à oferta e interrupções efetivas. O Brent já acumulava três semanas consecutivas de ganhos, enquanto os novos relatos acrescentam incerteza sobre a segurança das instalações e a evolução do conflito.
Porque deves querer saber
Instalações da Aramco entre os alvos reivindicados
Os houthis incluíram as instalações da Saudi Aramco em Yanbu na lista de alvos. A coligação saudita, por sua vez, anunciou interceções de mísseis e drones. Nenhuma destas declarações permite concluir que houve uma quebra de produção petrolífera.
Essa diferença importa quando avalias o impacto nas empresas de energia. Uma ameaça pode elevar os receios sobre o abastecimento, mas os efeitos operacionais dependem de danos e interrupções que ainda não estão confirmados neste episódio.
O conflito já perturba ligações aéreas
A retoma anunciada pelo aeroporto King Khalid ocorre depois de uma suspensão iniciada a 10 de outubro, na sequência de um ataque mortal. As consequências do conflito não se limitam, por isso, às expectativas sobre o preço do petróleo. Já atingiram o funcionamento de uma infraestrutura de transporte.
Os Estados Unidos também ordenaram, na semana anterior, a saída de funcionários governamentais não essenciais e das suas famílias da Arábia Saudita. Em conjunto com os receios de novos ataques ao Irão, estes acontecimentos mostram que o risco regional vai além da troca de ataques entre sauditas e houthis.

