American Express corta 5% dos trabalhadores para preparar a adoção de IA
A empresa de cartões regista um encargo de reestruturação de 336 milhões de dólares no terceiro trimestre. A administração quer reduzir níveis hierárquicos antes de automatizar processos.
O que se passou
A American Express anunciou que vai eliminar 5% dos postos de trabalho a nível mundial. O presidente executivo, Stephen Squeri, comunicou a decisão aos analistas na sexta-feira, 23 de outubro, no dia da apresentação dos resultados do terceiro trimestre.
A empresa regista nesse trimestre um encargo de reestruturação de 336 milhões de dólares. Este tipo de encargo inclui habitualmente indemnizações por despedimento, embora não tenha sido apresentada uma discriminação do montante.
O diretor financeiro, Christophe Le Caillec, explicou à CNBC que a reorganização pretende tornar a American Express mais ágil e prepará-la para a inteligência artificial. O plano passa por reduzir níveis hierárquicos e alargar o número de trabalhadores sob a responsabilidade de cada chefia.
Segundo Le Caillec, a empresa quer corrigir a organização dos processos antes de os automatizar. A utilização de IA deverá acompanhar essa transformação nos próximos trimestres e anos. Squeri afirmou que a reorganização dará maior capacidade para investir nas prioridades do negócio.
O que isto significa
O efeito financeiro identificado é o encargo de 336 milhões de dólares reconhecido no terceiro trimestre. Esse custo antecede os benefícios que a administração espera obter com uma estrutura mais simples e com a automatização.
A American Express não apresentou uma estimativa das poupanças nem quantificou o investimento em IA associado ao plano. O corte de 5% dos trabalhadores, por si só, não permite calcular quanto poderá melhorar a rentabilidade.
A sequência descrita pelo diretor financeiro distingue esta decisão de uma substituição imediata de trabalhadores por tecnologia. A empresa pretende primeiro reorganizar o trabalho e só depois automatizar processos que considere adequadamente estruturados.
Se acompanhas as ações da American Express, os próximos resultados poderão ajudar-te a avaliar se a redução de níveis hierárquicos se traduz em menores custos e maior capacidade de investimento. O anúncio define a intenção da administração, mas ainda não demonstra os ganhos financeiros da adoção de IA.
Porque deves querer saber
A redução de pessoal começa por trazer um custo
A American Express associa a redução de 5% dos trabalhadores a um encargo de reestruturação de 336 milhões de dólares. O impacto contabilístico surge no terceiro trimestre, enquanto os benefícios operacionais esperados ficam para depois.
Para avaliares o efeito nas contas, importa distinguir esse encargo das poupanças futuras. A administração ainda não quantificou essas poupanças, pelo que o montante anunciado não permite medir o retorno da reorganização.
A automatização começa na organização do trabalho
O diretor financeiro da American Express defende que automatizar processos mal estruturados não resolve o problema de base. A empresa quer reduzir níveis hierárquicos antes de alargar a utilização de IA.
Este caso mostra que a adoção de IA também envolve decisões sobre a organização das equipas, e não apenas investimento em tecnologia. Para quem investe, essa distinção ajuda a separar os cortes já anunciados dos ganhos de produtividade que ainda terão de ser demonstrados.


