Tiago Venâncio vai deixar a liderança da Aegon Santander Portugal
O gestor confirmou que sai por iniciativa própria, apesar de ter o mandato renovado até 2029. Liderava desde 2015 as seguradoras da parceria entre a Aegon e o Santander.
O que se passou
Tiago do Couto Venâncio, presidente executivo da Aegon Santander Portugal, decidiu deixar o cargo. O gestor confirmou a decisão ao ECOseguros e pretende continuar a trabalhar em Portugal.
A saída parte do próprio gestor e acontece apesar da recente renovação do mandato até 2029, publicada pela Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões, que supervisiona o setor segurador português.
À frente da operação desde 2015, Venâncio liderou a criação e o desenvolvimento das seguradoras Vida e Não Vida da parceria. O negócio aproximou-se dos 300 milhões de euros em prémios anuais, os montantes pagos pelos clientes pelos seguros, utilizando exclusivamente a rede bancária do Santander como canal comercial.
Nos últimos anos, as seguradoras apresentaram uma rendibilidade dos capitais próprios superior a 40%. Os dividendos acumulados distribuídos aos acionistas ultrapassaram os 200 milhões de euros.
O que isto significa
A mudança de liderança ocorre num negócio com um historial de elevada rentabilidade e distribuição de dividendos. Para os acionistas, a continuidade desses resultados será um elemento relevante na avaliação da transição.
A operação depende comercialmente da rede Santander. A relação com o banco permite vender seguros através de um canal já estabelecido, mas também concentra nesse parceiro o acesso aos clientes.
Os quase 300 milhões de euros em prémios anuais dizem respeito às seguradoras Aegon Santander, não à totalidade dos seguros do grupo Santander em Portugal. Esse negócio mais amplo aproxima-se de mil milhões de euros e inclui outras operações, como a parceria com a Mapfre.
A saída também coincide com uma reorganização internacional da Aegon, que anunciou a intenção de transferir a sede para os Estados Unidos e adotar o nome Transamerica. A empresa afirmou, contudo, que pretende continuar a desenvolver os negócios ibéricos através do Santander. A mudança de gestor não equivale, por si só, a uma alteração dessa parceria.
Porque deves querer saber
A liderança muda após anos de elevada rentabilidade
Venâncio deixa as seguradoras que ajudou a criar e desenvolver desde 2015. A decisão interrompe um mandato renovado até 2029, tornando a sucessão uma questão de continuidade de gestão num negócio já estabelecido.
Se acompanhas os acionistas da parceria, os dividendos acumulados superiores a 200 milhões de euros ajudam a perceber a relevância da operação. A transição acontece numa empresa que tem contribuído com distribuições de capital, não apenas com crescimento comercial.
A rede bancária sustenta o negócio dos seguros
As seguradoras Aegon Santander aproximaram-se dos 300 milhões de euros em prémios anuais sem recorrer a canais comerciais fora da rede do banco. O modelo mostra a capacidade de uma parceria bancária para dar escala à venda de seguros.
A Aegon afirmou que a sua estratégia internacional privilegia parcerias que geram resultados, sem exigir a propriedade integral das seguradoras. Esse enquadramento ajuda-te a distinguir a reorganização global do grupo da continuidade comercial que a empresa diz pretender na Península Ibérica.

