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Empresas

Fusões e aquisições em Portugal caem 27% até setembro

O mercado registou 379 operações nos primeiros nove meses de 2026, com o capital mobilizado a recuar 45%. O imobiliário manteve-se como o setor mais ativo.

Redação Clareza
16 de outubro de 2026, 12:013 min de leitura
Fusões e aquisições em Portugal caem 27% até setembro

O que se passou

O mercado português de fusões e aquisições contabilizou 379 operações anunciadas ou concluídas entre janeiro e setembro de 2026, segundo a TTR Data. O número caiu 27% face ao mesmo período de 2025, enquanto o montante registado recuou 45%, para 7,8 mil milhões de euros.

Os preços foram divulgados em apenas 33% dos negócios, o que limita a cobertura dos valores apurados. O imobiliário liderou a atividade, com 62 transações nos primeiros nove meses do ano.

No terceiro trimestre, foram registadas 120 operações, num total de 4,7 mil milhões de euros. A TTR Data destacou a conclusão da venda do data center da Altice na Covilhã, uma infraestrutura que aloja equipamentos informáticos, à Asterion Industrial Partners por 120 milhões de euros. O negócio tinha sido anunciado no final de 2025.

Espanha foi a principal origem do investimento transfronteiriço em Portugal em número de negócios, com 28 operações. No sentido inverso, as empresas portuguesas escolheram sobretudo Espanha e o Reino Unido, com 37 e nove transações, respetivamente.

O que isto significa

A quebra mostra um mercado menos ativo do que em 2025, tanto no número de operações como no capital mobilizado. A descida mais acentuada do valor não permite, por si só, concluir que as empresas estão a ser vendidas a preços inferiores, porque os montantes são conhecidos em apenas uma parte dos negócios.

Os dados também juntam operações anunciadas e concluídas. A venda do data center da Covilhã ilustra essa diferença. Embora anunciada em 2025, a sua conclusão foi destacada no terceiro trimestre de 2026, pelo que os totais não refletem apenas decisões de investimento tomadas este ano.

A evolução varia entre segmentos. O private equity, investimento de fundos em empresas não cotadas, registou 53 transações, menos 40% em termos homólogos. Já o capital de risco somou 76 rondas e 872 milhões de euros investidos, com o montante a crescer 35%.

Se acompanhas oportunidades de investimento em Portugal, esta diferença ajuda-te a distinguir a retração geral da disponibilidade de financiamento em cada segmento. O crescimento do capital de risco mostra que a redução da atividade não se estendeu de igual forma a todo o mercado.

Porque deves querer saber

Imobiliário mantém a liderança nos negócios

O imobiliário registou 62 transações e continuou a ser o setor mais ativo nas fusões e aquisições em Portugal. A liderança mantém a tendência observada desde o período posterior à pandemia, depois de uma fase de maior atividade tecnológica.

Essa concentração ajuda-te a perceber onde se realizam mais negócios, mas não equivale a uma liderança em capital investido. A divulgação de preços em apenas 33% das operações impede uma comparação completa dos montantes entre setores.

Capital de risco aumenta o investimento

O capital de risco mobilizou 872 milhões de euros em 76 rondas, um aumento de 35% no valor investido. Este crescimento contrasta com a queda de 45% no montante global das fusões e aquisições.

A divergência mostra que os diferentes tipos de financiamento não estão a seguir o mesmo percurso. Enquanto os fundos de private equity realizaram menos operações, o capital de risco conseguiu aumentar o dinheiro aplicado, apesar da retração do mercado no seu conjunto.

Fontes

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