Eurofighter prepara proposta para substituir os F-16 em Portugal
O consórcio, que inclui a Airbus, quer entregar ao Governo uma proposta não solicitada até ao início de novembro. O negócio é estimado em cerca de cinco mil milhões de euros.
O que se passou
O processo formal para substituir os F-16 portugueses ainda não arrancou, mas o consórcio Eurofighter prepara uma proposta não solicitada para apresentar ao Governo até ao início de novembro.
A Airbus faz parte do consórcio Eurofighter. Johan Pelissier, presidente da Airbus para a Europa, defendeu que a proposta permite a Portugal comprar mais do que uma plataforma militar, com margem para software próprio, treino, operação, manutenção e capacidade MRO, a sigla usada para manutenção, reparação e revisão.
A corrida ganhou mais concorrência europeia com a entrada da Dassault Aviation. A Saab, com o Gripen, e a Lockheed Martin, com o F-35, já estavam posicionadas para um negócio estimado em cerca de cinco mil milhões de euros.
A Airbus tem vindo a aumentar a presença em Portugal. O grupo refere cerca de 2.000 pessoas no país, incluindo cerca de 600 na Airbus Atlantic, em Santo Tirso, e cerca de 1.600 no GBS, criado em 2019. A Critical FlyTech, joint venture com a Critical Software, foi lançada há menos de um ano e conta com 165 pessoas em Lisboa e Coimbra.
O que isto significa
A decisão portuguesa ainda está numa fase anterior ao concurso, mas a iniciativa do Eurofighter coloca pressão no calendário político e industrial. Uma proposta não solicitada não decide a compra, mas antecipa argumentos e tenta enquadrar a escolha antes de o processo formal começar.
Para a Airbus, a relevância não está apenas na venda de aviões. O grupo tenta ligar a proposta militar à presença industrial em Portugal, incluindo software, formação e manutenção. Essa ligação pode pesar na avaliação económica do programa, porque uma compra de defesa desta dimensão também é analisada pelo retorno industrial e tecnológico que pode gerar.
A entrada da Dassault Aviation aumenta a concorrência dentro da própria Europa. O Governo passa a ter várias alternativas europeias sobre a mesa, além do F-35 da Lockheed Martin. Isso pode tornar o processo menos centrado numa escolha técnica única e mais dependente de soberania, integração industrial e compatibilidade operacional.
Para quem investe na Airbus, esta notícia não altera por si só as contas do grupo. O potencial contrato português seria relevante politicamente e para a presença local, mas a Airbus é um grupo de escala global. O sinal mais concreto é a forma como a empresa tenta transformar defesa, software e serviços em relações de longo prazo com Estados europeus.
Porque deves querer saber
A Airbus tenta chegar cedo à decisão portuguesa
O Eurofighter quer apresentar a sua proposta antes de o processo de substituição dos F-16 arrancar formalmente. Esse timing permite ao consórcio colocar temas como soberania tecnológica, software próprio e manutenção local no centro da conversa.
A Airbus também usa a presença já instalada em Portugal como argumento. A empresa aponta para equipas em Santo Tirso, Lisboa e Coimbra, além da Critical FlyTech, que trabalha em soluções para aeroespacial e defesa.
A defesa europeia procura ganhar peso industrial
A corrida portuguesa junta várias opções europeias, incluindo Eurofighter, Rafale da Dassault Aviation e Gripen da Saab. A alternativa norte-americana continua presente através do F-35 da Lockheed Martin.
A escolha dos novos caças já não é apenas uma comparação entre aviões. O contrato estimado em cinco mil milhões de euros pode envolver software, treino, manutenção e trabalho para empresas locais, tornando a decisão também uma aposta industrial de longo prazo.


