Visa recebe autorização para entrar nos pagamentos domésticos na China
O Banco Popular da China aprovou a criação de uma atividade de compensação de cartões bancários pela Visa. A decisão chega depois de a empresa ter pedido autorização em maio de 2020.
O que se passou
A Visa anunciou esta terça-feira que recebeu autorização do Banco Popular da China para criar uma atividade de compensação de cartões bancários no país. A empresa descreveu a decisão como um passo relevante para poder servir o mercado doméstico chinês de pagamentos.
O pedido tinha sido apresentado em maio de 2020. Até agora, a Visa trabalhava com bancos chineses em cartões de marca dupla, nos quais a UnionPay processava as transações dentro da China e a Visa tratava dos pagamentos no estrangeiro.
Ryan McInerney, CEO da Visa, disse que a empresa está presente no setor de pagamentos chinês há mais de 40 anos e que seguirá os passos exigidos pelas regras do banco central chinês para começar a operar no mercado doméstico.
A autorização surge antes de uma reunião prevista entre Donald Trump e Xi Jinping no próximo mês, a terceira este ano. George Chen, partner e responsável pela prática digital da The Asia Group, disse que o momento da decisão sugere vontade de Pequim em mostrar progressos concretos para empresas norte-americanas antes da próxima visita de Trump à China.
O que isto significa
A Visa fica mais perto de processar pagamentos em cartões bancários dentro da China, um mercado que durante anos esteve protegido por regras favoráveis a operadores locais. Para quem investe, isto alarga o mapa de crescimento potencial da empresa, embora a autorização ainda implique passos regulatórios antes do arranque efetivo.
A entrada não acontece num mercado vazio. A UnionPay domina o processamento doméstico de cartões, enquanto os pagamentos móveis são centrais nas compras do dia a dia, sobretudo através do WeChat, da Tencent, e do Alipay, ligado à Ant, afiliada da Alibaba.
A comparação com rivais mostra que a abertura tem sido gradual. A American Express recebeu licença de processamento em junho de 2020, depois de aprovação inicial em 2018. A joint venture da Mastercard na China começou a processar pagamentos em 2024, após autorização para preparar a compensação de cartões em fevereiro de 2020.
A decisão também entra na relação comercial entre os EUA e a China. Trump disse à Fox News, depois da viagem a Pequim em maio, que levantou o pedido da Visa para aceder ao mercado chinês. Depois da cimeira de setembro, a China afirmou que aprovaria pedidos de instituições financeiras estrangeiras para operar no país.
Porque deves querer saber
A Visa ganha uma porta regulatória que esperava desde 2020
A aprovação dá à Visa a possibilidade de avançar para uma atividade doméstica de compensação de cartões na China. Esse é o mecanismo que permite processar transações entre bancos, comerciantes e titulares de cartões.
A empresa deixa de depender apenas do modelo de cartões de marca dupla para estar presente nas transações ligadas à China. Ainda assim, o comunicado aponta para passos adicionais dentro das regras do Banco Popular da China antes de começar a operar.
A China mostra abertura seletiva no setor financeiro
Pequim mantém controlo apertado sobre o setor financeiro e sobre os fluxos de capital transfronteiriços. A autorização à Visa indica uma abertura limitada, num segmento onde já entraram American Express e Mastercard.
A decisão ganha peso por chegar antes de uma nova reunião esperada entre os presidentes dos EUA e da China. Para o setor financeiro estrangeiro, o caso mostra que o acesso ao mercado chinês continua a depender tanto de licenças regulatórias como do clima político entre as duas maiores economias.


