Governo exige à Vinci cumprimento dos prazos do novo aeroporto
Miguel Pinto Luz admite uma construção faseada, com conclusão em 2035 ou 2036. O ministro diz que o projeto foi essencial para o acordo de entrada da Lufthansa no capital da TAP.
O que se passou
O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, avisou a Vinci, dona da ANA, de que o Governo exige o cumprimento dos prazos para o novo Aeroporto Luís de Camões. Numa entrevista ao Expresso, afirmou que pretende trabalhar com o grupo, mas não aceitará desculpas para atrasos.
O governante mostrou disponibilidade para discutir se a construção pode terminar em 2035 ou 2036. Admitiu também uma execução faseada, com uma primeira pista e uma segunda numa etapa posterior.
Pinto Luz afirmou que o novo aeroporto de Lisboa foi essencial nas negociações com a Lufthansa. O Governo chegou a acordo com o grupo alemão para a aquisição de 49,9% da TAP por 1.201 milhões de euros.
Sobre eventuais exigências da Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia neste negócio, o ministro manifestou confiança numa maior abertura à consolidação. Fundamentou essa expectativa no relatório Draghi, que defende a criação de grupos europeus de maior dimensão.
O que isto significa
Para a Vinci, a declaração coloca o calendário do aeroporto no centro da relação com o Governo português. A disponibilidade para discutir o faseamento não equivale a aceitar adiamentos sem compromisso com uma data.
A diferença entre construir as duas pistas em simultâneo ou por etapas importa para avaliar a execução do projeto. Contudo, as declarações não fixam um calendário definitivo nem apresentam os custos de cada opção, pelo que não permitem quantificar o impacto financeiro para a Vinci.
A ligação feita por Pinto Luz ao acordo com a Lufthansa mostra que o aeroporto também pesa na estratégia para a TAP. O Governo apresenta a nova infraestrutura como um elemento relevante para atrair o grupo alemão, e não apenas como uma obra aeroportuária isolada.
A confiança do ministro na consolidação europeia não constitui uma decisão da autoridade da concorrência. Na avaliação do negócio da TAP, continua a ser necessário distinguir a expectativa política das condições que a Comissão Europeia possa vir a exigir.
Porque deves querer saber
A Vinci enfrenta pressão para fechar o calendário
O Governo mantém a intenção de trabalhar com a Vinci, mas exige um compromisso com os prazos. Para acompanhares a empresa, a definição do calendário e do faseamento passa a ser um elemento concreto a observar nas negociações sobre o aeroporto.
A hipótese de começar por uma pista deixa espaço para negociar a execução. Ainda assim, sem custos ou datas definitivas para cada etapa, não é possível traduzir essa flexibilidade num efeito financeiro para o grupo.
O aeroporto pesa na consolidação da aviação
Pinto Luz associa diretamente o novo aeroporto ao acordo de entrada da Lufthansa na TAP. Essa ligação mostra como a infraestrutura aeroportuária pode pesar nas negociações sobre o futuro de uma companhia aérea.
O ministro espera que a política europeia seja mais favorável à criação de grupos de maior dimensão. Essa expectativa ajuda a perceber a posição do Governo, mas não antecipa as exigências da autoridade da concorrência para o negócio.


