Trump pressiona Zelensky e defende novo líder na Ucrânia
O Presidente norte-americano disse que Vladimir Putin quer chegar a um acordo para terminar a guerra. As declarações surgem após um acordo entre Washington e Moscovo para entregas de gasóleo russo aos Estados Unidos e ao mercado mundial.
O que se passou
Donald Trump criticou este sábado Volodymyr Zelensky e disse que é “hora da Ucrânia ter um novo presidente” para pôr fim à guerra com a Rússia. O Presidente norte-americano afirmou, na Casa Branca, que os ucranianos deveriam escolher um líder capaz de chegar a um acordo.
Trump também condenou os ataques ucranianos a refinarias russas. O Presidente norte-americano disse que esses ataques agravam a escassez mundial de gasóleo e dirigiu-se a Zelensky com a frase “é do seu interesse parar”.
As declarações surgem depois de Washington e Moscovo anunciarem um acordo para fornecimento de gasóleo russo. Segundo os dois países, a Rússia deverá entregar 300.000 toneladas a partir de outubro aos Estados Unidos e ao mercado mundial, com entregas a aumentar até 1 milhão de toneladas em dezembro.
Trump disse ainda que falou por telefone com Vladimir Putin na sexta-feira e que o Presidente russo quer chegar a um acordo para terminar a guerra. Do lado ucraniano, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Andriy Sybiga, respondeu que Zelensky conta com o apoio do povo ucraniano e merece ser apoiado.
O que isto significa
A posição de Trump acrescenta incerteza política a uma guerra que continua a influenciar os mercados de energia. O ponto mais direto para quem investe está no gasóleo, porque o acordo com Moscovo procura aumentar a oferta num produto usado em transportes, indústria e agricultura.
O impacto financeiro não depende apenas do volume anunciado. Depende de como outros aliados de Kiev reagem ao alívio das restrições sobre produtos petrolíferos russos e de como a Ucrânia responde aos apelos para travar ataques a refinarias.
A tensão também mexe com a leitura do risco geopolítico. Se Washington aproximar a sua posição da de Moscovo nas negociações energéticas, os investidores passam a ter de pesar uma política externa norte-americana menos alinhada com alguns aliados europeus.
O apoio europeu a Kiev continua relevante. Berlim reafirmou apoio à Ucrânia e Paris foi envolvida em contactos com Zelensky sobre as dificuldades criadas pelo alívio das sanções aos produtos petrolíferos russos.
Porque deves querer saber
O gasóleo volta ao centro da guerra
O acordo anunciado por Washington e Moscovo coloca o mercado do gasóleo no centro da discussão. As entregas russas previstas começam em outubro com 300.000 toneladas e podem chegar a 1 milhão de toneladas em dezembro.
Os investidores em energia, transportes ou indústria avaliam se este reforço de oferta reduz a pressão sobre os combustíveis ou se a incerteza política neutraliza esse efeito. A reação de Kiev e dos aliados europeus pode tornar o mercado menos previsível.
A política externa dos EUA fica menos previsível
Trump não se limitou a defender negociações. Pediu uma mudança de liderança na Ucrânia e atribuiu a Zelensky falta de vontade para chegar a acordo, enquanto disse que Putin quer uma resolução.
Essa mudança de tom interessa aos mercados porque altera a forma como os investidores avaliam sanções, fluxos de energia e apoio militar. A guerra deixa de ser apenas um risco externo e passa a depender mais da política interna norte-americana.

