Trump admite apoiar a Arábia Saudita contra os Houthis
A possibilidade surge após um ataque ao aeroporto King Khalid, em Riade, que matou 12 pessoas e feriu 309. Analistas citados pela CNBC dizem que uma intervenção norte-americana alargaria recursos militares já envolvidos no Médio Oriente.
O que se passou
Donald Trump disse no sábado que os Estados Unidos estão a ponderar apoiar a Arábia Saudita na resposta aos Houthis no Iémen, grupo apoiado por Teerão. Questionado à porta da Casa Branca sobre um eventual apoio a ataques sauditas, afirmou que a decisão seria avaliada rapidamente.
Dois responsáveis do governo saudita disseram à MS NOW que Riade pediu apoio urgente de defesa aos Estados Unidos. Os responsáveis não foram identificados devido à sensibilidade do tema.
A Autoridade Geral da Aviação Civil saudita disse que o ataque ao aeroporto internacional King Khalid, em Riade, matou 12 pessoas e feriu 309, de acordo com o Saudi Gazette. O coronel Turki Al-Maliki, porta-voz da coligação liderada pela Arábia Saudita no Iémen, classificou o ataque como crime de guerra e prometeu uma resposta.
Os Houthis renovaram o aviso contra a utilização de aeroportos e do espaço aéreo saudita, dizendo que passaram a ser alvos das suas operações, com exceção dos aeroportos de Meca e Medina.
No mês passado, a administração Trump aprovou uma possível venda de quase 50 caças F-35 à Arábia Saudita, num negócio avaliado em 24,3 mil milhões de dólares e ainda sujeito a análise do Congresso.
O que isto significa
A hipótese de envolvimento militar norte-americano acrescenta pressão a uma região que já pesa nos mercados de energia. A CNBC refere que analistas veem o risco de os recursos dos EUA no Médio Oriente ficarem mais esticados, numa altura em que já estão comprometidos no conflito com o Irão.
A notícia também cruza segurança aérea, energia e comércio marítimo. Os Houthis têm atacado a aviação civil saudita e tentado condicionar o tráfego de petroleiros no estreito de Bab el Mandeb, uma entrada essencial para o Mar Vermelho.
Os preços da energia já subiram desde o início da guerra com o Irão, iniciada por ataques aéreos dos EUA e de Israel contra alvos iranianos em 28 de fevereiro. Uma frente adicional no Iémen pode manter o prémio de risco geopolítico no petróleo e nos combustíveis.
Para quem investe, o foco passa por energia, transportes e defesa. A realização em Riade do WPC Energy Congress e de uma reunião do International Energy Forum mostra como o tema energético continua ligado à segurança regional, mesmo quando os eventos diplomáticos e empresariais avançam.
Porque deves querer saber
O petróleo continua preso ao risco no Mar Vermelho
O ataque ao aeroporto de Riade aumenta a perceção de risco sobre infraestruturas sauditas e sobre rotas próximas do Mar Vermelho. Os Houthis já tinham procurado limitar o tráfego de petroleiros no Bab el Mandeb, um ponto de passagem relevante para o comércio de energia.
Se os Estados Unidos se juntarem à resposta saudita, o conflito pode ganhar uma dimensão militar mais ampla. Para o mercado, isso mantém a atenção nos custos de transporte, na segurança das cargas e no impacto final nos preços dos combustíveis.
A defesa saudita fica mais dependente de Washington
O pedido saudita de apoio urgente mostra que Riade procura uma resposta rápida com ajuda norte-americana. A possível venda de quase 50 F-35, avaliada em 24,3 mil milhões de dólares, já apontava para um reforço militar do reino.
A decisão de Trump pode sinalizar até onde os EUA estão dispostos a ir para proteger aliados no Golfo. Também testa a capacidade de Washington de gerir vários compromissos militares no Médio Oriente ao mesmo tempo.

