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Energia

Portugal e mais 11 países da UE vão libertar 42,6 milhões de barris

A libertação das reservas estratégicas decorre até ao final de janeiro de 2027. Quase metade do volume será gasóleo, numa tentativa de estabilizar o mercado antes do inverno.

Redação Clareza
29 de outubro de 2026, 20:003 min de leitura
Portugal e mais 11 países da UE vão libertar 42,6 milhões de barris

O que se passou

Portugal integra o grupo de 12 países da União Europeia que vai colocar no mercado 42,6 milhões de barris das suas reservas estratégicas até ao final de janeiro de 2027. O compromisso consta de um comunicado conjunto divulgado a 29 de outubro.

Do total anunciado, 20,5 milhões de barris serão de gasóleo. O comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, apresentou a iniciativa como um esforço para estabilizar este mercado com a aproximação do inverno, após uma reunião dos ministros da Energia da UE no Luxemburgo.

A decisão concretiza um compromisso assumido no âmbito do G7, que decidiu no início de outubro libertar até 100 milhões de barris de gasóleo e petróleo bruto nos quatro meses seguintes. Os 12 países envolvidos são membros da Agência Internacional de Energia, que também tinha defendido o recurso às reservas antes do inverno.

Em Portugal, a Epcol, associação das empresas petrolíferas, disse à Lusa que não antevê riscos iminentes de rutura no abastecimento durante o próximo inverno. O seu porta-voz, João Reis, destacou a combinação de capacidade de refinação, infraestruturas logísticas, importações e reservas estratégicas.

O que isto significa

A libertação de reservas acrescenta oferta ao mercado para tentar aliviar a pressão sobre os combustíveis. O peso do gasóleo no volume anunciado mostra que a intervenção se concentra especialmente num produto cujo preço ultrapassou os 2,30 euros por litro em vários países da UE.

O anúncio não equivale a uma descida garantida dos preços. A Epcol mantém a incerteza sobre a sua evolução devido à situação geopolítica, depois da subida dos preços da energia desde o início da guerra no Irão.

Se investes no setor energético, esta decisão ajuda-te a distinguir duas questões diferentes. As autoridades europeias e a associação portuguesa não antecipam problemas imediatos de abastecimento, mas os custos dos combustíveis continuam a pressionar os orçamentos das famílias.

O calendário anunciado estende a intervenção até ao final de janeiro de 2027. Esse é o horizonte definido para colocar as reservas no mercado, não um prazo para a normalização dos preços.

Porque deves querer saber

O gasóleo concentra quase metade da intervenção

Dos 42,6 milhões de barris previstos, 20,5 milhões serão de gasóleo. A composição da operação dirige uma parte substancial da oferta adicional para o combustível que as autoridades europeias procuram estabilizar antes do inverno.

A intervenção pretende aliviar a pressão sobre os preços através da disponibilização de reservas. Não foi anunciada uma redução específica no preço dos combustíveis, pelo que o volume libertado não deve ser confundido com uma poupança já assegurada.

Abastecimento seguro não significa energia barata

A Epcol considera que Portugal dispõe de várias formas de assegurar o abastecimento, combinando refinação, logística, importações e reservas. A Comissão Europeia também afasta, para já, preocupações com a segurança do fornecimento.

Essa avaliação não elimina o problema do custo da energia. A decisão de recorrer às reservas procura responder à pressão sobre os preços mesmo sem uma rutura iminente, distinguindo a disponibilidade de combustível da capacidade das famílias para o pagar.

Fontes

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