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Energia

Putin transmitiu a Trump a proposta do Irão para terminar a guerra

O Kremlin diz que a mensagem foi enviada com o acordo do presidente iraniano. A notícia surge depois de Trump anunciar fornecimentos russos de diesel ao mercado global e uma isenção temporária de sanções até abril de 2027.

Redação Clareza
10 de outubro de 2026, 16:003 min de leitura
Putin transmitiu a Trump a proposta do Irão para terminar a guerra

O que se passou

O Presidente russo, Vladimir Putin, transmitiu a Donald Trump a visão de Teerão para um possível fim da guerra no Irão, de acordo com a agência russa Interfax, que citou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

A mensagem terá sido enviada com o acordo do Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. Relatos de outros meios russos indicam que Putin falou com Trump por telefone depois de se reunir com Pezeshkian à margem de uma cimeira no Turquemenistão.

A Interfax não detalhou os termos da proposta iraniana. A Casa Branca não respondeu de imediato ao pedido da CNBC para confirmar a conversa relatada entre Putin e Trump.

A guerra começou em 28 de fevereiro, com ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel contra alvos iranianos. Um acordo provisório assinado em junho entre Washington e Teerão para suspender hostilidades e permitir negociações acabou por colapsar rapidamente.

A notícia chega um dia depois de Trump dizer que a Rússia vai fornecer mais de 4 milhões de toneladas de diesel ao mercado global. Segundo Trump, a Rússia entregará mais de 300 mil toneladas de imediato, 500 mil toneladas em novembro, 1 milhão de toneladas logo a seguir e mais 3 milhões de toneladas consoante o estado das refinarias russas. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitiu na sexta-feira uma licença geral que suspende temporariamente sanções sobre diesel russo até abril de 2027.

O que isto significa

A guerra no Irão deixou de ser apenas um risco militar para os mercados. Passou a cruzar três pontos sensíveis para quem investe, energia, sanções e transporte marítimo no Estreito de Ormuz.

O Irão intensificou os ataques a petroleiros que atravessam Ormuz, por onde passam cargas relevantes de crude. Um responsável sénior da Guarda Revolucionária iraniana disse na quarta-feira, citado pela Fars, que o Irão bloqueará todas as rotas que considera ilícitas através do estreito.

Os ataques surgem depois de as exportações de crude do Médio Oriente terem recuperado em setembro para níveis anteriores à guerra, em grande parte devido à escolta militar norte-americana a navios ao longo da costa de Omã. Se essa circulação voltar a ser ameaçada, o mercado de energia pode continuar exposto a choques de oferta.

O acordo sobre diesel russo tenta aliviar a pressão nos combustíveis. Os preços do diesel subiram a nível mundial porque a Ucrânia atacou refinarias russas, levando Moscovo a proibir exportações, e porque o Irão e aliados Houthi atacaram refinarias no Médio Oriente.

A reação da Ucrânia mostra o custo político da decisão. O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, condenou o acordo e avisou que aliviar sanções sem uma desescalada russa prolongará a guerra. Para os investidores, isto mantém a energia dependente tanto da oferta física como das decisões de sanções.

Porque deves querer saber

O diesel volta ao centro da pressão energética

O anúncio de Trump coloca o diesel russo como uma resposta rápida à subida dos preços dos combustíveis. A primeira tranche anunciada é de mais de 300 mil toneladas, seguida de 500 mil toneladas em novembro.

A isenção de sanções até abril de 2027 abre espaço legal para esses fornecimentos, mas também torna o mercado mais dependente de decisões políticas. Se as refinarias russas não conseguirem entregar os volumes indicados, a parte final de 3 milhões de toneladas fica condicionada.

Ormuz continua a ditar o prémio de risco

Os ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz mantêm o transporte de energia no centro da tensão. A recuperação das exportações do Médio Oriente em setembro dependeu da escolta militar norte-americana, o que mostra a fragilidade dessa normalização.

A possível mediação russa entre Irão e Estados Unidos pode reduzir a pressão se abrir caminho a negociações. Sem detalhes sobre a proposta iraniana, os mercados continuam a lidar com um risco que mistura diplomacia, sanções e abastecimento de combustíveis.

Fontes

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