PepsiCo corta previsão de resultados anuais
A empresa superou as expectativas no terceiro trimestre fiscal, mas a recuperação na América do Norte está a demorar mais do que previsto. O crescimento internacional voltou a compensar parte da fraqueza no mercado doméstico.
O que se passou
A PepsiCo reportou resultados do terceiro trimestre fiscal acima das expectativas dos analistas, com vendas líquidas de 25,27 mil milhões de dólares, mais 5,6% do que no ano anterior. O resultado líquido atribuível à empresa subiu para 3,05 mil milhões de dólares, ou 2,23 dólares por ação, contra 2,6 mil milhões de dólares, ou 1,90 dólares por ação, um ano antes.
A receita orgânica, que exclui aquisições, desinvestimentos e efeitos cambiais, cresceu 3,1% no trimestre. Os volumes aumentaram 3% nas bebidas e 1% nos alimentos, uma métrica que retira preços e câmbios para mostrar melhor a procura real.
Apesar do trimestre acima do esperado, a PepsiCo baixou a previsão para os resultados anuais. A empresa espera agora que o lucro core por ação cresça entre 2,5% e 3,5%, abaixo da projeção anterior que apontava para o limite inferior de um intervalo entre 5% e 7%. A previsão de crescimento das receitas líquidas passou para cerca de 6%, no topo do intervalo anterior de 4% a 6%.
A pressão vem sobretudo da América do Norte. A unidade de bebidas na região teve uma queda de 2% nos volumes, enquanto a divisão de alimentos ficou estável. Ramon Laguarta, presidente executivo da PepsiCo, disse que o negócio norte-americano ficou abaixo das expectativas e continua a oferecer margem para melhoria.
O que isto significa
A PepsiCo mostrou que consegue crescer fora do seu mercado doméstico, mas a revisão em baixa dos resultados muda o foco dos investidores. O problema não está apenas nas receitas. Está na capacidade de converter crescimento em mais lucro quando a operação norte-americana continua fraca.
Os mercados internacionais são o principal apoio das contas. Segundo Ramon Laguarta, já representaram 41% das receitas líquidas da empresa este ano, e quase todas as unidades internacionais aumentaram volumes no trimestre. A exceção foi a divisão de alimentos de conveniência na Europa, Médio Oriente e África, com uma queda de 1%.
A América do Norte pesa mais porque junta duas dificuldades. As bebidas perderam volume e os snacks não tiveram a procura esperada no trimestre. Em fevereiro, a PepsiCo tinha baixado preços em até 15% em várias marcas, incluindo Lay’s e Doritos, depois de consumidores mais atentos ao orçamento reduzirem compras de batatas fritas e outros snacks.
A empresa continua a tentar recuperar com inovação, publicidade e marketing. Nos snacks, tem apostado em ingredientes mais simples, óleos alternativos e benefícios funcionais como proteína e fibra. Nas bebidas, quer concentrar-se em hidratação funcional, refrigerantes com sabores, bebidas energéticas e opções sem açúcar.
A inflação pode voltar a pressionar a equação. Os executivos da PepsiCo antecipam uma nova vaga de inflação ligada aos preços da energia, e Laguarta referiu possíveis medidas de gestão de receitas, expressão usada no setor para ajustar preços e promoções. A empresa diz que tentará evitar que os retalhistas coloquem os snacks a preços demasiado altos para os consumidores.
Porque deves querer saber
As bebidas norte-americanas travam o trimestre
A queda de 2% nos volumes de bebidas na América do Norte é o dado mais sensível para a PepsiCo. A divisão inclui marcas como Pepsi, Mountain Dew e Poppi, e ficou abaixo do desempenho das operações internacionais.
A revisão da previsão anual mostra que a recuperação doméstica está a demorar mais do que a gestão esperava. Para quem investe, isso torna a evolução dos volumes na América do Norte tão relevante como o crescimento das receitas totais.
O consumidor continua a escolher com cuidado
A PepsiCo está a sentir a pressão de compradores mais sensíveis ao preço. A descida de preços em snacks no início do ano ajudou a melhorar os volumes face ao ano anterior, mas a procura norte-americana voltou a ficar aquém no trimestre.
O setor de bens de consumo enfrenta uma combinação difícil. As empresas precisam de proteger margens, mas aumentos de preço podem afastar consumidores quando a alimentação já ficou mais cara. A resposta da PepsiCo passa por produtos com novos ingredientes, opções funcionais e uma gestão mais fina de preços e promoções.


