Obrigações dos EUA sobem após travagem do emprego em setembro
A economia norte-americana criou 29 mil empregos fora do setor agrícola, bastante abaixo dos 90 mil esperados. As yields recuaram e o mercado passou a ver menor probabilidade de nova subida de juros pela Fed em outubro.
O que se passou
Os preços das Obrigações do Tesouro dos EUA subiram esta sexta-feira, depois de o relatório do emprego de setembro mostrar uma forte travagem na contratação. Quando o preço de uma obrigação sobe, a sua yield desce.
A economia criou 29 mil postos de trabalho fora do setor agrícola em setembro, menos de um terço dos 90 mil previstos. A taxa de desemprego aumentou de 4,1% para 4,2%.
Depois da abertura de Wall Street, a yield das obrigações a 10 anos recuava para perto de 5,2%, depois de ter tocado na véspera um nível junto de 5,35%, o mais alto desde 2002. A yield a dois anos, mais ligada às expectativas para a política monetária, descia para 4,76%.
Os dados também mexeram com as expectativas para a Reserva Federal. Os contratos sobre juros chegaram a atribuir uma probabilidade próxima de 20% a uma subida de 25 pontos base na reunião de 27 e 28 de outubro, contra 64% uma semana antes. O S&P 500 subia 0,9% no início da sessão.
O que isto significa
O relatório reduz a pressão sobre a Fed para voltar a subir juros já em outubro. Um mercado de trabalho menos quente tende a aliviar receios de inflação salarial, embora não elimine o debate sobre a direção da política monetária.
Os salários médios por hora subiram 0,1% no mês e 3% face a setembro de 2025. Este dado aponta para menor pressão dos custos do trabalho, um dos fatores que a Fed acompanha quando decide as taxas.
A leitura não é totalmente linear. A população ativa cresceu em 485 mil pessoas, o emprego medido pelo inquérito às famílias aumentou 406 mil e a taxa de participação subiu para 61,8%. Parte da subida do desemprego veio de mais pessoas a entrar no mercado de trabalho.
As revisões também enfraqueceram o retrato recente. Julho passou de um ganho de 21 mil empregos para uma perda de 10 mil, e agosto foi revisto de 162 mil para 133 mil. No conjunto, desapareceram 60 mil empregos das estimativas anteriores.
Para quem investe, a próxima fase depende de confirmar se setembro foi um mês fraco isolado ou o início de uma travagem mais persistente. Os próximos dados de inflação, salários e pedidos de subsídio de desemprego vão pesar na reunião da Fed e no rumo das yields.
Porque deves querer saber
As yields dão alívio às carteiras
A queda das yields ajuda as obrigações já em circulação, porque os seus preços sobem quando as taxas de mercado descem. Depois de a yield a 10 anos ter tocado um máximo desde 2002, a reação ao relatório mostra como os investidores estavam sensíveis a qualquer sinal de arrefecimento.
O movimento também deu apoio às ações no início da sessão, com o S&P 500 a subir 0,9%. Juros esperados mais baixos tornam os fluxos futuros das empresas menos penalizados na avaliação, sobretudo nos segmentos mais dependentes de crescimento.
A Fed ganha margem, mas não fecha o debate
A travagem do emprego aproxima o mercado da ideia de uma pausa em outubro. A probabilidade implícita de uma subida de 25 pontos base caiu de 64% para perto de 20% numa semana, depois do relatório.
A economia ainda mostra sinais mistos. Há contratação em áreas como saúde, construção e indústria transformadora, enquanto as atividades financeiras perderam postos de trabalho. A Fed terá de pesar esta desaceleração contra os próximos dados de inflação antes de decidir se mantém os juros ou volta a subi-los mais tarde.

