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Inteligência Artificial

Moonshot procura acesso a chips Nvidia na Europa face às restrições dos EUA

Segundo a CNBC, o laboratório chinês negoceia capacidade em data centers europeus com sistemas Blackwell. Os controlos norte-americanos impedem a importação destes chips para a China, mas não abrangem de forma ampla o acesso remoto.

Redação Clareza
06 de novembro de 2026, 08:333 min de leitura
Moonshot procura acesso a chips Nvidia na Europa face às restrições dos EUA

O que se passou

A Moonshot AI, o laboratório chinês responsável pelos modelos Kimi, procurou alugar capacidade de computação em data centers na Europa equipados com chips Nvidia. Quatro pessoas com conhecimento das conversações disseram à CNBC que houve negociações este ano com empresas especializadas em fornecer infraestrutura de cloud para inteligência artificial.

Três dessas fontes indicaram que a Moonshot pretendia aceder a sistemas Blackwell, cuja exportação para a China está sujeita a restrições norte-americanas. Uma fonte referiu conversações sobre conjuntos de 8.000 ou mais processadores gráficos, os chips usados para executar e treinar modelos de IA.

O interesse incluía capacidade para inferência, ou seja, para executar os modelos e responder aos utilizadores, segundo duas fontes. Uma delas também tinha conhecimento de interesse em capacidade para treino. Em julho, a Casa Branca tinha acusado a Moonshot de aceder remotamente a chips Blackwell através de uma instalação na Tailândia.

Uma fonte afirmou que foi proposto à Moonshot um pagamento inicial 30% a 50% superior ao exigido a um cliente não chinês. Não foi anunciada a conclusão de qualquer acordo. A Moonshot, a Nvidia e as autoridades norte-americanas e chinesas contactadas pela CNBC não responderam aos pedidos de comentário.

O que isto significa

As restrições dos EUA limitam o envio dos chips mais avançados da Nvidia para a China, mas a localização física dos equipamentos não determina quem os pode utilizar. A legislação atual não dá aos reguladores poderes amplos para controlar o acesso de empresas a esses chips através de serviços de cloud alojados no estrangeiro.

Para a Moonshot, alugar capacidade na Europa permitiria aumentar os recursos disponíveis sem importar os equipamentos. A necessidade já era visível quando a empresa lançou o Kimi K3. Na altura, suspendeu temporariamente novas subscrições para reservar capacidade aos clientes existentes.

Para quem investe na Nvidia, estas conversações mostram que a procura dos seus sistemas por empresas chinesas também pode chegar através de operadores estrangeiros. Isso não equivale a uma encomenda confirmada nem permite quantificar receitas adicionais para a fabricante.

Os operadores de infraestrutura ficam expostos a possíveis mudanças nas regras de acesso remoto. O pagamento inicial mais elevado proposto à Moonshot sugere que esse risco já entra nas condições comerciais discutidas com clientes chineses.

Porque deves querer saber

A Moonshot procura capacidade para servir mais clientes

A procura de chips não se destina apenas ao desenvolvimento de novos modelos. As conversações sobre inferência apontam para a necessidade de executar os serviços que os utilizadores já procuram, depois de a Moonshot ter limitado novas subscrições por falta de capacidade.

Se conseguir contratar esses recursos, a empresa poderá aliviar essa limitação operacional. Para a Nvidia, o interesse nos sistemas Blackwell evidencia procura pela sua tecnologia, mas as negociações relatadas não confirmam novas vendas.

O acesso remoto desafia os controlos às exportações

Um chip pode permanecer num data center europeu e ser utilizado por uma empresa chinesa. Essa separação entre a localização do equipamento e a do cliente limita o alcance de controlos centrados na exportação física de tecnologia.

Os operadores de cloud podem beneficiar dessa procura, mas os contratos ficam sujeitos ao risco de futuras restrições. Para avaliares estas empresas, importa distinguir capacidade instalada de capacidade que pode continuar a ser disponibilizada a cada cliente.

Fontes

As empresas desta notícia

Avaliadas todos os dias pelo Clareza
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