Micron acusa rival chinesa de usar tecnologia sua em processos de patentes
A empresa diz que a Yangtze Memory Technologies contratou antigos engenheiros da Micron, usou conhecimento confidencial e depois processou a própria Micron com essas patentes. A disputa já levou a uma ordem de suspensão de vendas de certos produtos NAND na Alemanha, que a Micron contestou.
O que se passou
A Micron Technology apresentou uma ação num tribunal federal no Idaho em 15 de setembro de 2026 contra a Yangtze Memory Technologies, fabricante chinesa de chips de memória. A Micron acusa a YMTC de ter contratado antigos engenheiros seus, recolhido conhecimento confidencial e registado patentes baseadas nessa tecnologia.
A queixa refere oito antigos funcionários. De acordo com notícias citadas na peça original, pelo menos 20 trabalhadores passaram da Micron para a YMTC. A Micron afirma ainda que algumas dessas pessoas ocultaram as novas funções em perfis profissionais.
A empresa pede ao tribunal que lhe transfira a propriedade de quatro patentes dos EUA. Também pede injunções e indemnizações, mas não foi divulgado qualquer valor para os danos reclamados.
Três dias depois da ação no Idaho, um tribunal de Munique decidiu a favor da YMTC em dois processos e ordenou à Micron que deixasse de vender certos produtos NAND na Alemanha. A Micron recorreu da decisão.
A YMTC tinha processado a Micron na Califórnia em novembro de 2023 e também avançou com processos na China, no Texas, no Reino Unido e na Europa. A disputa incide sobre NAND, chips de armazenamento usados em telemóveis e data centers.
O que isto significa
A disputa legal toca numa parte relevante da tecnologia da Micron, mas não na maior fonte de receitas da empresa. No último trimestre, a Micron fez 39,8 mil milhões de dólares em DRAM, a memória usada por servidores e computadores para trabalhar dados, e 14,1 mil milhões de dólares em NAND.
Isso ajuda a explicar por que uma proibição de vendas de certos produtos NAND na Alemanha não altera, por si só, a base do caso de investimento. O risco aumentaria se a YMTC conseguisse uma injunção num mercado maior, se a Micron perdesse a titularidade das quatro patentes em disputa ou se NAND passasse a ter um peso maior nas receitas.
O caso também mostra como a indústria de memória é vulnerável à circulação de conhecimento entre empresas. Parte do valor está nos processos de fabrico que os engenheiros dominam, não apenas em documentos formais ou desenhos técnicos.
A Micron chega a esta disputa com resultados apoiados por um ciclo forte de preços. Em 30 de setembro de 2026, a administração disse que ainda não tinha visibilidade sobre quando a oferta e a procura voltariam ao equilíbrio. A empresa também indicou que acordos plurianuais com clientes já cobrem mais de 35% da receita até 2030.
As ações da Micron estavam nos 1.063,96 dólares e acumulavam uma subida de 273,01% no ano. Esse desempenho torna a evolução dos processos mais sensível para quem investe, porque qualquer decisão desfavorável em mercados maiores pode pesar sobre uma ação que já refletiu muito otimismo.
Porque deves querer saber
As patentes passam a ser o foco imediato da Micron
A Micron quer que quatro patentes dos EUA passem para a sua propriedade. A empresa argumenta que essas patentes nasceram de conhecimento seu levado por antigos engenheiros para a YMTC.
A decisão alemã aumenta a pressão no curto prazo, porque já restringe a venda de certos produtos NAND no país. A Micron recorreu, por isso o impacto final ainda depende do que os tribunais decidirem.
A disputa mostra a tensão na memória entre EUA e China
O conflito entre Micron e YMTC não é apenas uma disputa entre duas empresas. Os controlos de exportação dos EUA têm incentivado produtores chineses a criar capacidade própria em chips de memória.
Essa concorrência pode crescer independentemente do resultado deste processo. Para a Micron, a questão de fundo é defender a sua tecnologia enquanto enfrenta rivais que querem reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.

