Meta procura até 25 mil milhões de dólares em dívida para financiar IA
A emissão deverá ser repartida entre dólares e euros. O financiamento surge dias depois de a S&P Global Ratings ter revisto para negativa a perspetiva da notação de crédito da empresa.
O que se passou
A Meta procura captar entre 20 mil milhões e 25 mil milhões de dólares através de uma emissão de obrigações esta terça-feira, 3 de novembro. A empresa está a aumentar a despesa em infraestrutura, modelos e serviços de inteligência artificial.
Segundo fontes conhecedoras da operação citadas pela CNBC, cerca de dois terços da emissão deverão ser em dólares e um terço em euros. As condições finais estavam previstas para a tarde de terça-feira, pelo que o montante ainda não estava fechado.
Nos resultados do terceiro trimestre, divulgados no mês passado, a Meta apontou para um investimento em bens de capital entre 135 mil milhões e 145 mil milhões de dólares no conjunto do ano. O limite inferior subiu 5 mil milhões face à previsão anterior. No trimestre, o fluxo de caixa livre foi negativo em 2,12 mil milhões de dólares.
A empresa já tinha captado 25 mil milhões de dólares numa emissão de obrigações em abril. Na semana passada, anunciou também planos para levantar 95 mil milhões através de ações para financiar iniciativas de IA, com 35 mil milhões em ofertas públicas com garantia de colocação e mais 60 mil milhões em vendas graduais no mercado.
Dias antes desta nova operação de dívida, a S&P Global Ratings manteve a notação AA-, mas alterou a perspetiva de estável para negativa. A agência apontou a incerteza associada ao elevado investimento e ao fluxo de caixa livre negativo.
O que isto significa
A Meta está a recorrer tanto a dívida como a ações para financiar a expansão em IA. São formas diferentes de obter capital. As obrigações criam compromissos de juros e reembolso, enquanto novas ações podem reduzir a participação relativa dos atuais acionistas.
O fluxo de caixa livre negativo mostra que, no último trimestre, o dinheiro gerado pelas operações não chegou para cobrir o investimento. A nova emissão ajuda a financiar esse esforço, mas não altera a necessidade de transformar a despesa em capacidade que venha a gerar retorno.
A decisão da S&P não foi uma descida da notação de crédito. A passagem da perspetiva para negativa sinaliza, porém, maior preocupação com a evolução financeira da empresa. As condições finais da emissão permitirão perceber a que custo a Meta consegue captar este financiamento.
A Alphabet e a Amazon também apresentaram fluxo de caixa livre negativo no período referido. A Meta não está isolada nesta pressão financeira, mas a dimensão do seu programa de investimento torna especialmente relevante acompanhar a geração de caixa nos próximos resultados.
Porque deves querer saber
A Meta soma dívida a um plano de emissão de ações
A captação prevista acrescenta uma nova fonte de financiamento ao plano de expansão da Meta. O montante e os juros finais ainda não eram conhecidos, pelo que o anúncio não equivale a uma operação concluída.
Se acompanhas as ações da empresa, a distinção entre dívida e capital é relevante. A dívida aumenta os encargos financeiros futuros. A emissão de ações pode diluir a tua participação, mesmo sem venderes qualquer título.
A expansão da IA exige mais dinheiro do que o caixa gerado
O investimento da Meta em infraestrutura de IA está a pressionar o fluxo de caixa livre. A presença de valores negativos também na Alphabet e na Amazon mostra que esta pressão não se limita à dona do Facebook.
Para avaliares os resultados destas empresas, o lucro não conta toda a história. A capacidade de gerar dinheiro depois do investimento ajuda a perceber quanto da expansão pode ser financiado pela atividade e quanto exige recursos externos.


