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Meta cai 7% com receios sobre a despesa em inteligência artificial

As receitas trimestrais superaram as previsões, mas a empresa aumentou o mínimo previsto para o investimento anual. Os investidores questionam o retorno das infraestruturas de IA.

Redação Clareza
24 de outubro de 2026, 21:323 min de leitura
Meta cai 7% com receios sobre a despesa em inteligência artificial

O que se passou

As ações da Meta fecharam a sessão de 22 de outubro a cair 7%, depois de a empresa ter apresentado receitas do terceiro trimestre acima das expectativas. A reação refletiu os receios dos investidores sobre a rentabilidade dos investimentos em infraestruturas de inteligência artificial.

A empresa elevou o limite inferior da previsão de investimento anual de 130 mil milhões para 135 mil milhões de dólares. O limite superior manteve-se nos 145 mil milhões de dólares. A Meta tem ainda compromissos de despesa de 825 mil milhões de dólares relacionados com capacidade de cloud, serviços de energia e produtos de hardware para consumidores.

As receitas trimestrais atingiram um recorde de 64 mil milhões de dólares, acima dos 63,3 mil milhões esperados pelos analistas. O resultado por ação segundo as normas contabilísticas norte-americanas foi de 3,83 dólares, também acima da previsão de 3,56 dólares.

Durante a apresentação de resultados, Mark Zuckerberg apontou o agente de IA Muse como uma fonte potencial de crescimento. Afirmou que poderá ser altamente rentável ao longo de vários anos, desde que a eficiência computacional dos sistemas de IA continue a melhorar.

O que isto significa

A queda mostra que superar as previsões de receitas não bastou para tranquilizar os investidores. O mercado concentrou-se no dinheiro que a Meta está a comprometer e na capacidade de transformar esse investimento em resultados futuros.

A revisão não aumentou o teto previsto para o investimento anual, mas retirou a possibilidade de a despesa ficar no extremo mais baixo do intervalo anterior. Isso torna mais exigente a demonstração de retorno das novas infraestruturas.

Os compromissos de 825 mil milhões de dólares abrangem várias áreas e não devem ser confundidos com a previsão de investimento anual. Ainda assim, ajudam a perceber a dimensão das obrigações assumidas pela empresa.

Os analistas mantiveram, em geral, uma perspetiva favorável, apoiada nas oportunidades do Muse e dos modelos de IA da Meta. Se acompanhas a ação, a diferença entre essa perspetiva e a reação em bolsa passa pela confiança na rentabilidade futura, que Zuckerberg associou à melhoria da eficiência dos sistemas.

Porque deves querer saber

A despesa pesa mais do que o recorde de receitas

A Meta apresentou receitas e resultados por ação superiores às previsões, mas perdeu 7% em bolsa. A reação mostra que os investidores deram mais peso às necessidades de investimento do que ao desempenho do trimestre.

O novo intervalo de despesa mantém o mesmo limite máximo, mas sobe o mínimo. Para avaliares os próximos resultados, não basta acompanhar o crescimento das receitas. A evolução do investimento também será necessária para perceber quanto desse crescimento pode traduzir-se em retorno.

A rentabilidade da IA depende também da eficiência

Os receios estenderam-se a ações de semicondutores e de outras empresas ligadas à IA, perante dúvidas sobre o retorno dos grandes investimentos em data centers, instalações que alojam capacidade de processamento. A pressão sobre a Meta faz parte desse questionamento mais alargado.

Zuckerberg ligou a rentabilidade potencial do Muse à melhoria da eficiência computacional. A oportunidade não depende apenas da utilização dos produtos de IA, mas também do custo de os operar. Essa relação ajuda a explicar por que os analistas podem manter uma visão favorável enquanto os investidores penalizam a despesa atual.

Fontes

As empresas desta notícia

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