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Inteligência Artificial

Meta ponderou investir até 200 mil milhões de dólares em IA sem modelos provados

Mark Zuckerberg disse que a empresa avaliou um cheque entre 100 mil milhões e 200 mil milhões de dólares no fim de 2025. O compromisso não teve prazo nem âmbito detalhados, mas expõe a dimensão do risco financeiro assumido na corrida à IA.

Redação Clareza
13 de outubro de 2026, 19:024 min de leitura
Meta ponderou investir até 200 mil milhões de dólares em IA sem modelos provados

O que se passou

Mark Zuckerberg, CEO da Meta, afirmou num episódio do podcast Cheeky Pint publicado em 12 de outubro de 2026 que a empresa ponderou investir entre 100 mil milhões e 200 mil milhões de dólares em inteligência artificial antes de ver os novos modelos a funcionar.

A conversa referia-se ao fim de 2025. Zuckerberg disse que a Meta estava entusiasmada com o progresso interno, mas ainda não tinha visto os modelos. Nesse contexto, perguntou a Alexandr Wang, responsável de IA da Meta, se tinha a certeza de que a tecnologia iria funcionar.

Wang respondeu que havia sinais positivos vindos da investigação, mas que o sucesso ainda não estava garantido. Também contou que, num encontro de executivos da Meta no Havai, a diretora financeira Susan Li o abordou várias vezes para sublinhar que uma falha teria consequências financeiras muito negativas.

Zuckerberg não indicou o prazo nem o perímetro exato do compromisso que estava a ser considerado. A Meta tem guidance de capex para 2026 entre 130 mil milhões e 145 mil milhões de dólares, incluindo pagamentos de principal de locações financeiras.

O investimento da Meta em IA já tinha chamado a atenção dos investidores. Após os resultados de abril, as ações caíram mais de 6% após o fecho do mercado, apesar dos resultados fortes, depois de a empresa ter elevado a previsão anual de despesa para 125 mil milhões a 145 mil milhões de dólares.

O que isto significa

A Meta está a assumir que a próxima fase de crescimento exige uma infraestrutura de IA muito maior. Esse investimento passa por centros de dados, chips e capacidade de computação, que são necessários para treinar e operar modelos de inteligência artificial.

O ponto sensível está no desfasamento entre custo e prova comercial. A empresa pode comprometer dezenas ou centenas de milhares de milhões antes de saber se os modelos criam produtos, receitas ou eficiência suficientes para justificar a despesa.

Para quem investe, o capex passou a ser uma das variáveis centrais na avaliação da Meta. A empresa continua a ter negócios fortes em publicidade digital, mas uma parte maior do caixa gerado pode ser direcionada para infraestrutura de IA durante vários anos.

A reação dos investidores aos resultados de abril mostra que o mercado não olha apenas para crescimento e resultados atuais. Quando a empresa sobe o guidance de investimento, aumenta a exigência sobre a capacidade de transformar essa despesa em retorno económico.

As previsões citadas pela Business Insider, atribuídas a analistas da Cantor Fitzgerald, apontam para despesa de 200 mil milhões de dólares em 2027. Essa estimativa reforça a ideia de que a Meta pode continuar a testar os limites de tolerância dos acionistas enquanto constrói capacidade para IA.

Porque deves querer saber

A Meta está a gastar antes de provar o retorno

A conversa entre Zuckerberg, Wang e Susan Li mostra que a liderança da Meta conhecia o risco antes de avançar com planos de investimento de grande escala. A empresa não estava apenas a financiar investigação. Estava a considerar compromissos financeiros enormes antes de ter confirmação de que os modelos funcionariam.

Esse detalhe importa porque muda a forma como os investidores leem a qualidade dos resultados. Resultados fortes podem perder impacto se vierem acompanhados por mais capex e por um prazo incerto para recuperar esse investimento.

A questão imediata não é se a Meta consegue gastar. A empresa tem escala para o fazer. A questão é quanto tempo os acionistas aceitam ver mais caixa canalizado para IA sem sinais claros de retorno.

A corrida à IA está a tornar-se uma corrida de balanços

A IA generativa está a favorecer empresas capazes de financiar infraestrutura muito cara. Modelos maiores exigem mais computação, e essa computação exige centros de dados, energia e chips em quantidades difíceis de replicar por concorrentes mais pequenos.

A Meta está a posicionar-se como uma das empresas dispostas a correr esse risco. A frase de Zuckerberg sobre só falhar se a IA, no seu conjunto, falhar mostra que a administração vê a infraestrutura como utilizável mesmo se um modelo específico não resultar.

Para o setor, isto aumenta a distância entre gigantes tecnológicos e empresas sem balanços comparáveis. A competição em IA não depende apenas de talento ou produto. Depende também da capacidade de absorver anos de investimento antes de haver uma recompensa financeira evidente.

Fontes

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