Manus levanta mais de 500 milhões de dólares após separação da Meta
A ronda foi liderada pela Boyu Capital e pela IDG Capital. A startup de agentes de inteligência artificial retomou operações independentes depois de Pequim travar a aquisição pela Meta.
O que se passou
A Manus levantou mais de 500 milhões de dólares na primeira ronda de financiamento desde que a Meta foi obrigada a abandonar a compra da empresa. A Butterfly Effect, dona da Manus, anunciou a operação esta quinta-feira.
A ronda foi liderada pela sociedade de private equity Boyu Capital e pela investidora de capital de risco IDG Capital. Tencent, HSG e ZhenFund, que já eram acionistas, também voltaram a investir.
A empresa não divulgou a valuation após a ronda. A Bloomberg tinha noticiado no mês passado que a Manus poderia duplicar a sua valuation para 4 mil milhões de dólares nesta operação, o que a tornaria a fabricante de agentes de IA mais valiosa do país.
A Meta tinha anunciado a aquisição em dezembro, num acordo de cerca de 2 mil milhões de dólares. Os reguladores chineses bloquearam a operação e a National Development and Reform Commission disse ter decidido “proibir investimento estrangeiro no projeto Manus”. A Meta já tinha começado a integrar a equipa e a tecnologia da Manus.
Desde a separação, a Manus disse que retomou operações independentes. A empresa lançou também o Manus 2.0, assente num novo sistema interno chamado Cascade, e a aplicação Cue, um agente pessoal autónomo em que cada agente tem email, número de telefone e carteira móvel próprios.
O que isto significa
A nova ronda mostra que a Manus conseguiu voltar a captar capital depois de uma operação bloqueada por Pequim. Para quem investe, o dado relevante não é apenas o montante. É a capacidade de uma empresa de IA recuperar apoio financeiro após uma reversão regulatória pouco comum.
O caso também deixa a Meta numa posição diferente. A empresa perdeu a aquisição que lhe dava acesso direto à equipa e à tecnologia da Manus, embora tenha continuado a avançar com o seu próprio agente pessoal de IA, Muse, lançado no início de setembro e inspirado no agente open-source OpenClaw.
A Manus passa agora a ter de provar que consegue crescer como empresa independente. Analistas citados pela CNBC apontam como tarefas imediatas demonstrar escala, rentabilidade e alinhamento com as exigências regulatórias de Pequim.
A ronda mantém vivo o interesse por startups de agentes de IA, software que executa tarefas em nome do utilizador, mesmo quando os modelos de base evoluem depressa e a concorrência em preço se intensifica. Esse equilíbrio entre potencial comercial e pressão competitiva vai pesar na forma como investidores avaliam empresas deste segmento.
Porque deves querer saber
A Manus recupera capital depois do bloqueio
A ronda dá à Manus margem financeira para reconstruir a empresa fora da Meta. A startup tinha sido vista como uma via de expansão global para empresas chinesas de IA, mas tornou-se um exemplo dos limites impostos pela regulação.
O efeito imediato é a confirmação de que investidores de referência continuam dispostos a apoiar a empresa. Boyu Capital, IDG Capital, Tencent, HSG e ZhenFund dão-lhe uma base de acionistas para tentar provar crescimento e rentabilidade sem o comprador norte-americano.
A geopolítica pesa na corrida aos agentes de IA
A reversão da compra mostra como a IA ficou presa entre ambição tecnológica e controlo político. Pequim bloqueou investimento estrangeiro no projeto Manus quando a Meta já integrava partes da equipa e da tecnologia.
Para o setor, a mensagem é que uma boa tecnologia pode não chegar para fechar uma transação internacional. Startups com ambições globais têm de navegar regras de investimento, tensões entre potências e exigências locais sobre quem controla capacidades de IA.


