Compra da Giant Eagle pela Kroger levanta receios de vigilância dos clientes
Um relatório do American Economic Liberties Project alerta que a operação de 1,65 mil milhões de dólares pode concentrar mais dados sobre consumidores. A organização pede às autoridades que bloqueiem a aquisição.
O que se passou
A proposta de aquisição da Giant Eagle pela Kroger, por 1,65 mil milhões de dólares, está a levantar preocupações sobre a concentração de dados e de tecnologias de vigilância no retalho alimentar. Num novo relatório, o American Economic Liberties Project (AELP), uma organização que defende reformas da política de concorrência, pede o bloqueio da operação.
A compra acrescentaria mais de 200 lojas da Giant Eagle às 2.700 da Kroger. Segundo o AELP, permitiria recolher informação sobre clientes numa área geográfica mais vasta e poderia alargar ou combinar redes de vigilância física que incluem câmaras Flock e tecnologias da Cooler Screens.
O relatório identifica possíveis utilizações dos dados na personalização de preços, com base em inferências sobre os clientes e os seus hábitos de compra, e no negócio de publicidade da Kroger, que disponibiliza a outras marcas informação sobre consumidores. A Kroger nega usar reconhecimento facial nas lojas para definir preços, mas reconhece na sua política de privacidade que utiliza essa tecnologia em algumas lojas por motivos de segurança.
O AELP apela à Comissão Federal do Comércio dos Estados Unidos, a FTC, e ao procurador-geral do Ohio para que tentem impedir a aquisição. A Kroger e a Giant Eagle não responderam de imediato aos pedidos de comentário do The Verge.
O que isto significa
A operação não envolve apenas a expansão da rede de supermercados. O relatório chama a atenção para o valor comercial dos dados que acompanham as lojas e para a possibilidade de a Kroger os utilizar no seu negócio de publicidade. Esse potencial é apresentado pelo AELP como um risco, não como um plano confirmado da empresa.
O escrutínio regulatório pode também abranger os efeitos locais da aquisição. O AELP argumenta que a combinação reduziria significativamente as alternativas dos consumidores em locais como Columbus, no Ohio, além de concentrar mais informação numa única empresa.
A Kroger já enfrentou uma contestação semelhante na tentativa de fusão com a Albertsons. Essa operação, de dimensão muito superior, foi bloqueada pelos tribunais no final de 2024, depois de ser contestada pela FTC e por procuradores-gerais estaduais. O precedente ajuda a perceber o risco regulatório, mas não determina o desfecho da compra da Giant Eagle.
Se acompanhas a Kroger, deves distinguir o pedido de intervenção feito pelo AELP de uma decisão das autoridades. O relatório aumenta a contestação pública à operação, mas não confirma um bloqueio nem demonstra que os dados adquiridos venham a ser usados para personalizar preços.
Porque deves querer saber
A expansão das lojas traz mais dados sobre clientes
A Kroger acrescentaria mais de 200 lojas à sua rede com a aquisição da Giant Eagle. Segundo o AELP, essa expansão dar-lhe-ia também acesso a informação sobre consumidores de uma área geográfica mais ampla, com possíveis aplicações na publicidade e na personalização de preços.
Para avaliares a operação, a dimensão da rede não é, por isso, o único elemento relevante. O uso dos dados passa a fazer parte da contestação à compra, juntamente com o efeito sobre a concorrência entre supermercados.
A privacidade entra no debate sobre fusões
O relatório procura alargar o debate sobre concentração no retalho alimentar. Além do risco de menos concorrência e preços mais altos, questiona a concentração de câmaras e de outras tecnologias que permitem acompanhar os consumidores nas lojas.
A distinção entre segurança e utilização comercial dos dados é central nesta discussão. A Kroger admite reconhecimento facial para segurança em algumas lojas, mas nega utilizá-lo para definir preços. A existência da tecnologia, por si só, não comprova a prática que o AELP receia.

