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Macroeconomia

FMI sobe previsão de crescimento mundial para 3,1% em 2026

O investimento em inteligência artificial amortece parte do impacto da guerra no Médio Oriente. Mas o FMI alerta que as reservas de energia e a margem orçamental estão a diminuir.

Redação Clareza
15 de outubro de 2026, 09:023 min de leitura
FMI sobe previsão de crescimento mundial para 3,1% em 2026

O que se passou

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em alta a previsão de crescimento da economia mundial para 3,1% em 2026, face aos 3% estimados em julho. Apesar da melhoria, o ritmo fica abaixo dos 3,5% do ano passado. Para 2027, mantém a previsão de 3,4%.

Nas projeções divulgadas durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial em Banguecoque, o fundo atribui parte da resistência económica ao investimento em inteligência artificial. Esse investimento sustentou a procura no primeiro semestre, compensando parte do impacto da guerra no Médio Oriente e das tensões comerciais.

A inflação mundial deverá atingir 4,1% em 2027, acima dos 3,9% previstos em julho. Para 2026, a estimativa mantém-se em 4,7%. O FMI passou a assumir a reabertura do estreito de Ormuz em março de 2027 e o regresso às condições anteriores à guerra em outubro desse ano.

Silvana Tenreyro, conselheira económica e diretora do departamento de estudos do FMI, alertou que a capacidade de resistência da economia se aproxima dos seus limites. As reservas mundiais de petróleo estão a ser consumidas a um ritmo de cerca de 2,7 milhões de barris por dia, enquanto aumentam as preocupações com as finanças públicas.

O que isto significa

A revisão em alta não elimina o abrandamento mundial. O investimento em IA está a sustentar a atividade, mas o FMI avisa que as restrições energéticas podem travar esse mesmo impulso. A energia passa, assim, a ser um risco também para o motor tecnológico que tem ajudado a economia.

O crescimento está mais concentrado. Apenas 32 economias representam agora 95% do crescimento mundial, contra 54 em abril. Os países ligados à procura de semicondutores beneficiam, enquanto os importadores de energia fora dessa cadeia enfrentam custos mais elevados e menor margem orçamental.

A diferença é visível nas previsões para 2026. O FMI antecipa um crescimento de 10,7% em Taiwan e de 3,3% na Coreia do Sul, apoiado pela procura de semicondutores. Na zona euro, prevê apenas 1,1%, com a energia cara e a fraca confiança dos consumidores a pesarem na atividade.

Se investes em ações ou obrigações, a subida da previsão de crescimento deve ser lida em conjunto com a revisão em alta da inflação de 2027. Tenreyro defende que a política monetária continue suficientemente restritiva para devolver a inflação ao objetivo, mesmo perante as pressões de financiamento dos governos.

Porque deves querer saber

A IA sustenta a economia e o otimismo dos mercados

O FMI considera que o investimento em inteligência artificial ajudou a atividade a superar as expectativas no primeiro semestre. Acrescenta que a relativa calma dos mercados financeiros pode refletir, em parte, entusiasmo associado à IA.

Isso distingue o apoio efetivo do investimento à economia das expectativas incorporadas nos mercados. Ao avaliares empresas expostas à IA, importa acompanhar se a procura continua a traduzir-se em atividade, sobretudo quando o próprio FMI identifica a energia como possível travão.

As reservas de petróleo deixam menos margem de proteção

A diversificação das fontes de combustível e o recurso a reservas estratégicas ajudaram a conter o choque energético. Mas o FMI alerta que essa proteção está a diminuir rapidamente e que a redução das reservas se aproxima de níveis capazes de provocar movimentos bruscos nos preços.

Uma perturbação mais prolongada pressiona os países que importam energia através de faturas externas mais elevadas e da perda de poder de compra. Na zona euro, esse risco junta-se à fraca confiança dos consumidores e ajuda a explicar a distância face às economias que beneficiam da procura tecnológica.

Fontes

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