EUA ordenam saída de pessoal não essencial da Arábia Saudita após ataques
Ataques houthis atingiram um aeroporto e um campo petrolífero. Há relatos de planos militares para novos ataques ao Irão, mas Donald Trump ainda não os aprovou.
O que se passou
Os Estados Unidos ordenaram a saída dos funcionários governamentais não essenciais e das respetivas famílias da Arábia Saudita. O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, justificou a decisão com o aumento dos ataques dos houthis, aliados do Irão, contra alvos civis sauditas.
Um ataque ao aeroporto internacional King Fahd, em Dammam, matou pelo menos uma pessoa e feriu oito. Outras duas pessoas morreram num ataque com drones ao campo petrolífero de Shaybah, da Saudi Aramco. A agência noticiosa saudita informou que as operações petrolíferas não foram afetadas.
O New York Times noticiou, citando responsáveis norte-americanos não identificados, que os militares dos EUA e de Israel prepararam planos para novos ataques ao Irão após as eleições intercalares de novembro. Os possíveis alvos incluem infraestruturas energéticas, instalações nucleares e arsenais de mísseis e drones. Donald Trump ainda não aprovou esses ataques.
A tensão mantém-se enquanto Washington e Teerão negoceiam sobre o programa nuclear iraniano e o estreito de Ormuz. O Brent ultrapassou os 110 dólares por barril e o petróleo norte-americano WTI subiu 1%, para 98,12 dólares.
O que isto significa
A retirada de pessoal mostra um agravamento das preocupações de segurança na Arábia Saudita. Não equivale, porém, a uma decisão norte-americana de retomar ataques de grande escala contra o Irão. Os planos militares noticiados continuam dependentes de aprovação presidencial.
No petróleo, há uma diferença entre o risco de interrupção e uma quebra efetiva da oferta. O ataque a Shaybah não afetou as operações e, segundo a empresa de análise de matérias-primas Kpler, os fluxos de petróleo pelo estreito de Ormuz recuperaram para perto dos níveis anteriores à guerra, apesar das perturbações na navegação.
A procura chinesa pode acrescentar pressão aos preços. A analista de petróleo da Kpler, Muyu Xu, estima que as reservas chinesas tenham diminuído ao ritmo recorde de 1,6 milhões de barris por dia em setembro. O aumento da atividade das refinarias e a necessidade de repor existências podem levar a novas compras no Médio Oriente.
Se investes em energia, a evolução das operações petrolíferas e das exportações permite distinguir ameaças de perdas concretas de produção. As negociações e uma eventual aprovação de novos ataques passam a ser acontecimentos relevantes para avaliar esse risco.
Porque deves querer saber
O ataque à Aramco não interrompeu a produção
O ataque ao campo de Shaybah causou duas mortes, mas não afetou as operações, de acordo com a agência noticiosa saudita. Para a Saudi Aramco, o impacto operacional confirmado é, por isso, diferente da gravidade humana do ataque.
Com o Brent acima de 110 dólares, uma interrupção efetiva da oferta seria um desenvolvimento distinto das ameaças atuais. A continuidade da produção e a recuperação dos fluxos pelo estreito de Ormuz ajudam a perceber o que está, de facto, a chegar ao mercado.
As ameaças chegam à infraestrutura digital
Responsáveis iranianos ameaçaram alargar os ataques a data centers, instalações que alojam servidores, e a cabos submarinos de internet. A ameaça estende o risco do conflito para além das instalações petrolíferas e das rotas marítimas.
Não há indicação de que esses ataques tenham ocorrido. Ainda assim, as ameaças tornam a segurança das comunicações mais um elemento a acompanhar, numa altura em que as negociações diplomáticas decorrem em paralelo com a preparação militar.

