Setor cripto canaliza mais de 200 milhões de dólares para as eleições americanas
Os grupos ligados às criptomoedas querem eleger congressistas favoráveis ao setor nas intercalares de 2026. A iniciativa legislativa Clarity Act continua bloqueada no Senado.
O que se passou
As organizações ligadas às criptomoedas contribuíram com mais de 200 milhões de dólares neste ciclo eleitoral nos Estados Unidos, segundo a organização Public Citizen. O setor ultrapassou os grupos ligados às apostas online e ao desenvolvimento de data centers no financiamento político empresarial federal.
A Fairshake e os comités de financiamento político associados apoiam 33 candidatos à Câmara dos Representantes, dos quais 19 são republicanos e 14 democratas. Estes comités, conhecidos como super PACs, concentram parte dos recursos em seis congressistas em funções, com pelo menos um milhão de dólares de apoio a cada candidatura.
Entre os candidatos prioritários estão os republicanos French Hill e Bill Huizenga, presidente e vice-presidente da comissão de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes. A Coinbase é uma das empresas que financiam esta mobilização. A plataforma de negociação de criptomoedas doou 25 milhões de dólares à Fairshake em 2025, segundo o comité.
O esforço eleitoral decorre depois de o Clarity Act, uma proposta bipartidária para regular a estrutura do mercado de ativos digitais, ter ficado bloqueado no Senado em setembro. Os democratas argumentaram que o texto não impedia suficientemente os altos responsáveis governamentais de beneficiarem de negócios com criptomoedas.
O que isto significa
O setor procura transformar o financiamento eleitoral em apoio a regras mais favoráveis no Congresso. A distribuição de verbas entre republicanos e democratas mostra que a estratégia não depende apenas da vitória de um partido, mas da eleição de legisladores alinhados com as suas prioridades.
O bloqueio do Clarity Act mostra, porém, que o apoio político não garante a aprovação de legislação. O desacordo sobre os benefícios que responsáveis públicos podem retirar de negócios com criptomoedas tornou-se um obstáculo concreto à definição das regras do mercado.
Se investes em criptomoedas ou em empresas como a Coinbase, o resultado das eleições interessa pela composição do Congresso que irá discutir essas regras. As contribuições eleitorais revelam a dimensão do esforço de influência, mas não equivalem a uma mudança regulatória já aprovada.
O setor tenta repetir a mobilização de 2024, quando os super PACs gastaram 250 milhões de dólares para eleger legisladores favoráveis às criptomoedas. Desta vez, a pressão legislativa enfrenta também um eleitorado mais preocupado com o custo de vida e a corrupção governamental.
Porque deves querer saber
O apoio chega a quem decide as regras
A Fairshake está a dirigir recursos para congressistas com intervenção direta na regulação financeira. O apoio ao presidente e ao vice-presidente da comissão de Serviços Financeiros coloca parte do financiamento junto de responsáveis por uma área central para o setor.
Para a Coinbase, que doou 25 milhões de dólares à Fairshake em 2025, a disputa eleitoral acompanha o esforço para alterar as regras dos ativos digitais. Esse financiamento dá dimensão à sua participação política, mas o bloqueio no Senado mostra os limites dessa influência.
O custo de vida disputa espaço com as criptomoedas
As prioridades dos eleitores não coincidem necessariamente com as do setor. No inquérito económico da CNBC realizado em outubro, apenas 20% dos inquiridos classificaram a economia como excelente ou boa, contra 27% em julho. O congressista democrata Steven Horsford, apoiado pela Fairshake, identifica o custo de vida como a principal preocupação atual.
Ao mesmo tempo, uma sondagem da Gallup divulgada em setembro mostrou que 89% dos adultos americanos consideram generalizada a corrupção no Governo. Esse ambiente ajuda a perceber a relevância política das objeções éticas ao Clarity Act, sem permitir concluir que o financiamento eleitoral conseguirá desbloquear a proposta.

