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Criptomoedas

Binance sofre ataque estimado em 6,3 mil milhões de dólares

Cerca de 3 mil milhões de dólares em criptoativos já foram congelados. A plataforma promete cobrir todas as perdas, mas bloquear os fundos não equivale a recuperá-los.

Redação Clareza
30 de outubro de 2026, 17:033 min de leitura
Binance sofre ataque estimado em 6,3 mil milhões de dólares

O que se passou

A Binance sofreu um ataque informático com um impacto estimado em 6,3 mil milhões de dólares. Numa atualização de segurança, a plataforma de negociação de criptomoedas indicou que cerca de 3 mil milhões de dólares em ativos tinham sido congelados e comprometeu-se a cobrir todas as perdas.

A TRM Labs, empresa de análise de blockchain, estimou que foram retirados aproximadamente 6,36 mil milhões de dólares de carteiras da Binance em 10 redes. A maior parte dos ativos foi transferida em cerca de 20 minutos.

A TRM Labs atribuiu o ataque, com elevado grau de confiança, ao TraderTraitor, um grupo de piratas informáticos patrocinado pelo Estado norte-coreano. A Chainalysis também considerou provável essa autoria, com base em ligações a ataques anteriores.

Segundo a TRM Labs, a preparação começou pelo menos 36 horas antes do roubo. Os atacantes terão usado o Tornado Cash, um serviço que mistura transações de criptomoedas, para financiar antecipadamente as suas carteiras.

O que isto significa

Os ativos congelados deixam de poder ser transferidos, mas ainda não estão devolvidos à Binance. Ari Redbord, responsável global de políticas públicas da TRM Labs, explicou à CNBC que a recuperação exige um processo legal, normalmente com uma ordem judicial e colaboração dos emissores dos tokens.

Essa possibilidade é maior nas stablecoins, criptomoedas concebidas para manter um valor estável. Os emissores Tether e Circle podem congelar, destruir e reemitir os seus tokens USDT e USDC. Já o bitcoin e o ether não têm um emissor capaz de bloquear diretamente os ativos, pelo que a recuperação depende do rastreio e da interceção dos fundos em plataformas que cooperem com os investigadores.

Sean Farrell, responsável de estratégia de ativos digitais da Fundstrat Global Advisors, considera que o ataque não parece representar, neste momento, um risco significativo para a solvência da Binance. Estima que cerca de 3,3 mil milhões de dólares continuem por congelar.

A avaliação de Farrell pressupõe que as stablecoins congeladas acabam por ser devolvidas. Nesse cenário, o fundo de emergência SAFU da Binance, avaliado em cerca de 1,2 mil milhões de dólares, cobriria aproximadamente um terço das perdas restantes. O saldo teria de sair dos fundos próprios da plataforma.

Porque deves querer saber

Fundos congelados ainda não pagam as perdas

A promessa da Binance de cobrir as perdas coloca o esforço financeiro na própria plataforma. O montante que terá de suportar depende dos ativos efetivamente recuperados, não apenas daqueles que foram bloqueados.

Se tens fundos na plataforma, a distinção é relevante. Eric Jardine, responsável de investigação da Chainalysis, explicou que um bloqueio técnico pode ser rápido, mas a devolução pode demorar meses ou anos. Não existe um prazo padrão para recuperar os ativos.

O tipo de criptomoeda muda a recuperação

O ataque mostra que as criptomoedas não oferecem todas os mesmos mecanismos de recuperação. Nas stablecoins, o controlo técnico do emissor permite intervir sobre os tokens. No bitcoin e no ether, os investigadores precisam de seguir os movimentos até encontrarem um ponto onde possam atuar.

A transparência das redes públicas pode ajudar a rastrear o dinheiro, mas não basta para o devolver. A recuperação depende da cooperação entre autoridades, plataformas de negociação e emissores, tornando essas entidades decisivas depois de um roubo.

Fontes

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