Banco de Portugal vê margem para subir juros dos depósitos
Álvaro Santos Pereira disse que a remuneração dos depósitos continua baixa e que os bancos portugueses podem melhorar as condições oferecidas aos aforradores. O governador prometeu novidades para breve.
O que se passou
O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, afirmou esta quinta-feira que os juros dos depósitos em Portugal “ainda permanecem muito baixos” e que existe margem para os bancos aumentarem a remuneração dos depositantes.
Na abertura da Money Conference, em Cascais, o governador defendeu que melhorar os incentivos à poupança é essencial para reforçar a capacidade de investimento da economia. Também disse que os supervisores financeiros estão atentos ao tema e a trabalhar em medidas, com novidades esperadas para breve.
Os dados mais recentes do Banco de Portugal mostram que a taxa média das novas aplicações a prazo subiu pelo sexto mês consecutivo em julho, para 1,59%. A média da Zona Euro ficou em 2,14%.
Álvaro Santos Pereira ligou a diferença face à Zona Euro ao facto de os bancos portugueses terem muito dinheiro aplicado em depósitos a prazo. Também lembrou que a inflação tem ficado sistematicamente acima das taxas pagas nos depósitos, o que reduz o poder de compra de quem usa estes instrumentos de poupança.
O governador deixou ainda um aviso sobre a estabilidade financeira. Defendeu que o Fundo de Garantia de Depósitos e o Fundo de Resolução devem estar capitalizados e capazes de cumprir a sua missão, depois de uma decisão do Tribunal Constitucional de julho ter colocado em causa a norma que define a taxa das contribuições adicionais dos bancos para o Fundo de Resolução.
O que isto significa
A mensagem do Banco de Portugal aumenta a pressão pública sobre os bancos para remunerarem melhor os depósitos. Depósitos mais bem pagos podem afetar uma fonte importante de rentabilidade dos bancos portugueses para os investidores, porque significam custos de financiamento mais elevados.
A diferença entre Portugal e a Zona Euro mostra que a subida das taxas de juro não passou da mesma forma para os aforradores portugueses. As novas aplicações a prazo têm vindo a melhorar, mas continuam abaixo da média do bloco. O supervisor está a sinalizar que essa distância merece atenção.
A inflação acima dos juros dos depósitos torna a poupança em produtos de baixo risco menos eficaz para preservar poder de compra. Isso ajuda a explicar porque o tema entrou no debate sobre incentivos à poupança e financiamento da economia.
O alerta sobre o Fundo de Garantia de Depósitos e o Fundo de Resolução acrescenta outra camada para os investidores. A discussão sobre contribuições dos bancos não afeta apenas custos regulatórios. Também toca na confiança no sistema financeiro, que é central para bancos que dependem de depósitos e de estabilidade no financiamento.
Porque deves querer saber
A pressão sobre as margens dos bancos aumenta
Os bancos portugueses podem enfrentar maior escrutínio sobre a remuneração dos depósitos. Se as taxas pagas aos depositantes subirem, o custo do dinheiro captado junto dos clientes também sobe.
A rentabilidade bancária depende da diferença entre o que os bancos cobram nos empréstimos e o que pagam nos depósitos. Uma subida das taxas dos depósitos pode reduzir essa diferença, sobretudo se não for acompanhada por receitas mais altas noutros produtos.
A poupança volta ao centro da política financeira
O Banco de Portugal está a ligar a remuneração dos depósitos à capacidade de poupar e investir na economia. Juros demasiado baixos, num período em que a inflação tem sido superior, tornam a poupança bancária menos atrativa para as famílias.
A comparação com a Zona Euro reforça a pressão. Portugal paga menos nas novas aplicações a prazo do que a média do bloco, apesar da subida dos últimos meses. O tema deixa de ser apenas comercial e passa a ser também uma questão de política de poupança.

