AMD atinge novo máximo com procura por CPUs para agentes de IA
A popularidade de agentes como o Muse, da Meta, e o Dots, da OpenAI, está a renovar o interesse nos processadores centrais. AMD e Intel valorizaram mais do que as grandes tecnológicas no último mês.
O que se passou
As ações da AMD subiram quase 4% na terça-feira, para um novo máximo de 654,82 dólares durante a sessão. A valorização prolongou um mês forte para a empresa, num período em que a procura por CPUs ganhou destaque com a expansão dos agentes pessoais de inteligência artificial.
No último mês, até ao fecho de segunda-feira, a AMD avançou 32% e a Intel subiu 21%. As duas empresas superaram as grandes tecnológicas no mesmo período, depois de anos em que a Nvidia e as suas GPUs dominaram a narrativa da IA generativa.
A Meta lançou o Muse no início de setembro e a OpenAI apresentou o Dots na semana passada. O Muse chegou ao topo da App Store da Apple em menos de duas semanas. Estes agentes executam tarefas de forma autónoma durante longos períodos, o que aumenta a importância dos CPUs nos servidores.
A CNBC refere que o Muse informa os utilizadores de que corre num computador com tecnologia AMD. O Dots diz correr num computador virtual alimentado por um CPU EPYC da AMD. A Meta afirmou que desenhou o seu sistema para usar diferentes tipos de CPU, mantendo flexibilidade na compra de capacidade.
Na AMD, os CPUs já pesam nos resultados. A receita da área de data center mais do que duplicou para 6,7 mil milhões de dólares no trimestre terminado em junho, representando quase 60% das vendas totais.
O que isto significa
A subida da AMD mostra que a corrida da IA não passa apenas por GPUs. As placas gráficas continuam a ser necessárias para a inferência, ou seja, para executar modelos de IA. Mas um agente que trabalha durante horas ou dias também precisa de um CPU para gerir o ambiente computacional onde as tarefas correm.
Isto dá à AMD e à Intel uma narrativa de crescimento que tinha ficado apagada pelo domínio da Nvidia. A AMD beneficia por combinar presença em CPUs e GPUs. A Intel beneficia porque muitos servidores dos grandes fornecedores de cloud continuam a usar processadores da Intel ou da AMD.
A vantagem não está garantida. Amazon, Google, Meta e Microsoft também desenvolvem chips próprios, muitas vezes baseados em tecnologia Arm. A Arm anunciou em março um CPU para agentes, com a Meta como cliente inicial, e as suas ações mais do que duplicaram desde então.
A Nvidia também entrou neste mercado com o Vera, um processador central redesenhado para agentes. A empresa disse esperar que os CPUs sejam um mercado de 200 mil milhões de dólares até 2030. Para quem investe, a questão passa a ser quais as empresas que capturam a próxima camada de gastos em infraestrutura de IA, agora que os agentes tornam o CPU mais visível.
Porque deves querer saber
Os agentes devolvem palco aos CPUs
A AMD está a ser premiada porque os agentes de IA mudam a composição da procura por chips. Quando uma aplicação precisa de correr autonomamente durante horas, o CPU volta a ser essencial para manter o computador ou servidor a funcionar.
Isso ajuda a explicar porque a subida da AMD não depende apenas da disputa com a Nvidia nas GPUs. A empresa tem exposição direta aos CPUs usados em data centers, e essa unidade já representou quase 60% das vendas no trimestre terminado em junho.
A corrida da IA abre uma nova frente nos chips
A popularidade do Muse e do Dots mostra que a IA está a passar de respostas curtas para tarefas prolongadas. Essa mudança altera a procura por infraestrutura, porque um agente precisa de capacidade constante e não apenas de potência para processar modelos.
O setor dos semicondutores fica mais disputado. AMD, Intel, Arm, Nvidia e os grandes fornecedores de cloud querem capturar esta carga de trabalho. Para o investidor, a história deixa de estar concentrada num só tipo de chip e passa a depender de quem fornece a infraestrutura completa para agentes.




