UnitedHealth supera estimativas e melhora previsão de resultados
A seguradora norte-americana elevou a previsão anual depois de um terceiro trimestre acima do esperado. O rácio de custos médicos ficou abaixo das estimativas, mas a empresa diz que as despesas continuam elevadas face ao histórico.
O que se passou
A UnitedHealth Group apresentou resultados do terceiro trimestre acima das estimativas e reviu em alta a sua previsão de resultados ajustados para 2026. A empresa espera agora pelo menos 20,50 dólares por ação, contra a previsão anterior de 19,50 a 20,00 dólares por ação.
O resultado líquido foi de 4,11 mil milhões de dólares, ou 4,56 dólares por ação. No mesmo período do ano anterior, a UnitedHealth tinha registado 2,35 mil milhões de dólares, ou 2,59 dólares por ação.
Excluindo itens como alienações de negócios, reestruturação e a redução esperada de reservas para contratos não rentáveis, a empresa ganhou 4,69 dólares por ação. As receitas recuaram para 112,69 mil milhões de dólares, face a 113,16 mil milhões de dólares um ano antes.
O rácio de custos médicos, que mede as despesas médicas pagas em relação aos prémios recebidos, ficou em 88,4% no trimestre. Os analistas esperavam 89,9%, segundo a StreetAccount. Um rácio mais baixo tende a indicar maior rentabilidade, porque a seguradora paga menos em benefícios face ao que recebe em prémios.
O diretor financeiro, Wayne DeVeydt, disse à CNBC que os custos médicos continuam acima dos níveis históricos. Referiu pressões no internamento, na farmácia e nos medicamentos de especialidade para cancro e doenças raras.
O que isto significa
A UnitedHealth está a mostrar progresso no plano para recuperar margens. A empresa tem reduzido membros, saído de contratos não rentáveis e aumentado o investimento em cuidados baseados em valor, um modelo em que médicos e unidades de saúde são pagos também pelos resultados dos pacientes e pela eficiência dos custos.
A subida da previsão de resultados ajustados dá aos investidores um sinal de maior confiança da administração. Também mostra que a empresa conseguiu absorver parte da pressão dos custos médicos no trimestre, depois de este tema ter pesado sobre as seguradoras de planos Medicare Advantage geridos por privados durante mais de dois anos.
O rácio de custos médicos abaixo do esperado é um dado relevante, mas não elimina o risco. DeVeydt disse que o processo de resolução independente de disputas previsto na No Surprises Act está a acrescentar pelo menos 100 pontos base, ou 1 ponto percentual, aos custos médicos totais. Esse processo resolve disputas entre prestadores e seguradoras sobre pagamentos fora da rede.
A empresa apontou sinais de mudança na utilização dos cuidados de saúde. As admissões hospitalares agudas entre membros da UnitedHealth caíram 15% face ao ano anterior até ao terceiro trimestre, enquanto as admissões em cuidados ao domicílio subiram 10%. Para quem investe, isto ajuda a perceber se a margem melhora por controlo estrutural de custos ou apenas por efeitos temporários.
Porque deves querer saber
O rácio médico deu fôlego às margens
A surpresa mais imediata está no rácio de custos médicos de 88,4%, abaixo dos 89,9% esperados pelos analistas. Numa seguradora de saúde, esta métrica é central porque liga diretamente os prémios recebidos às despesas pagas em cuidados médicos.
A melhoria ajuda a explicar a revisão em alta da previsão de resultados ajustados. Também torna mais visível o efeito das saídas de contratos não rentáveis e da gestão mais apertada da carteira de membros.
A ressalva vem da própria empresa. Wayne DeVeydt disse que a tendência de custos médicos continua elevada face ao histórico, com pressão no internamento e nos medicamentos de especialidade.
A saúde gerida continua a procurar custos mais baixos
A UnitedHealth está a tentar deslocar mais cuidados para modelos baseados em valor e para ambientes menos caros, como cuidados ao domicílio. A queda de 15% nas admissões hospitalares agudas e a subida de 10% nas admissões em cuidados domiciliários mostram essa direção.
Este movimento interessa ao setor porque as seguradoras de saúde enfrentam custos médicos persistentemente altos. Se os modelos de prevenção e acompanhamento conseguirem reduzir internamentos, a rentabilidade pode depender menos de aumentos de prémios.
A pressão regulatória e contratual não desaparece. O processo de resolução de disputas da No Surprises Act está a aumentar os custos de sinistros da UnitedHealth, segundo o diretor financeiro, e esses custos podem acabar refletidos nos prémios pagos pelos consumidores.


